Recorde: Londrina supera 1,7 mil casos de covid-19

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Cidade registra 1.712 casos ativos da doença e uma morte esta semana e a média móvel já chega a 309 pacientes por dia; Saúde contabiliza 1 milhão de vacinas aplicadas

Mariana Guerin

Foto: UPA Sabará/João Paulo Poças

Londrina enfrenta um aumento vertiginoso no número de casos de covid-19 neste início de ano, batendo o recorde de 1.712 casos ativos da doença no município esta semana, o maior índice desde o início da pandemia. O último recorde aconteceu em junho de 2021, quando a cidade somava 1.267 pacientes diagnosticados com o novo coronavírus.

Conforme boletim da Prefeitura, a média móvel de casos positivos de covid-19 em Londrina já chega a 309 registros por dia. Desde junho do ano passado a cidade não registrava uma média móvel superior a 300 casos. Em 31 de dezembro de 2021, a média móvel estava em 25,1. Já a taxa de hospitalização segue estável: 11 pacientes estão internados, sendo seis em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e cinco em enfermaria.

Na última segunda-feira (10), a Secretaria Municipal de Saúde registrou mais uma morte em decorrência da covid: uma mulher de 65 anos que estava internada desde 25 de agosto. Já são 2.325 londrinenses que perderam a vida em decorrência da doença.

Recorde de casos: pacientes reclamam de pronto-atendimentos lotados

A população voltou a sentir medo, apesar da vacinação em massa, e muitas pessoas procuraram as unidades de saúde em busca de testes nos últimos dias, lotando os pronto-atendimentos. Para dar conta da demanda, a Prefeitura tornou a Unidade Básica de Saúde do Jardim Guanabara como mais um ponto de referência para casos de síndrome respiratória na cidade desde o último sábado (8).

A UBS da Vila Casoni e a UPA Sabará já eram referência desde a semana passada e passaram a contar com mais médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem para atender a demanda. Ao todos são 24 médicos. Ainda assim, há filas de espera, as unidades permanecem lotadas, e alguns pacientes têm reclamado da qualidade do atendimento.

UPA Sabará lotada na tarde da última terça-feira/ João Paulo Poças

O educador social João Paulo Poças é um deles. Na última terça-feira (11), ele amanheceu com dor de garganta e febre e decidiu procurar atendimento médico na UBS do Conjunto Maria Cecília. Chegando lá, logo pela manhã, foi informado que apenas a UBS da Vila Casoni e a UPA do Jardim Sabará estavam atendendo casos de síndromes respiratórias.

Ele, então, partiu para a Vila Casoni, mas não conseguiu atendimento por falta de médicos no posto. “Estamos realmente na pandemia? Ômicrom existe? H3N2?”, questionou o educador social, que foi orientado a retornar à UBS da Vila Casoni às 7 horas da manhã seguinte para passar por nova triagem.

João decidiu buscar atendimento na UPA Sabará no mesmo dia, mas ao chegar lá, deparou-se com a unidade lotada e foi embora. “Não me arrisquei a esperar naquele antro de aglomeração. Não sou de me automedicar, mas neste estado hipócrita e com medo de piorar, tomei dipirona, além de xarope caseiro e gargarejo com folha de goiaba e casca de romã.”

“Meus sintomas são leves e a angústia daquele lugar era muito grande para ficar lá. É tudo muito triste e irritante”, desabafou o educador social, que na manhã de hoje voltou à UBS da Vila Casoni, onde finalmente conseguiu atendimento médico.

Ele relata que fez um teste rápido na UBS, o qual positivou para covid-19, e que está isolado em casa, medicado, sem febre, mas com dores no corpo.

“Sempre me cuidei durante estes dois anos de pandemia. No dia de ontem, não foi a falta de atendimento, mas o descaso e desrespeito do poder público que me surpreenderam. Quando liguei na ouvidoria de saúde me disseram que a UBS Guanabara também estava atendendo sintomas respiratórios. Agora, por que na porta das UBSs Maria Cecília e Casoni só mencionava a UBS Casoni e UPA Sabará? Descaso, desrespeito, a sensação é única: ódio e raiva por quem governa nosso país, nosso Estado e nosso município.”

Londrina atinge marca de 1 milhão de vacinas aplicadas

O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, confrontou a informação do leitor sobre a falta de médicos na UBS da Vila Casoni nesta terça, informando que a unidade contou com o trabalho de dois médicos pela manhã e quatro à tarde durante todo o dia de ontem. “A unidade realizou 213 atendimentos ontem”, pontuou o secretário. Segundo ele, a Prefeitura “está avaliando” novas mudanças estruturais para dar conta da demanda, que só cresce.

Hoje, em uma publicação na sua rede social, Machado destacou que Londrina atingiu a marca de 1 milhão de vacinas aplicadas. Ele reforçou que a pandemia não acabou: “Por isso a importância de cada vez mais se vacinar. Vacinação é um ato de amor e proteção. Fique atento aos prazos das segunda e terceira doses. Use máscara, álcool gel, mantenha o distanciamento”, comentou o secretário.

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou ontem mais 9.492 casos confirmados e sete mortes em decorrência da infecção causada pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas foram 6.819 casos e um óbito, e o restante representa o acumulado de dias e meses anteriores. O Paraná soma 1.636.220 casos confirmados de covid-19 e 40.698 mortos pela doença desde o começo da pandemia, em março de 2020.

‘Controlar a pandemia envolve diversas medidas’

O físico Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont e membro do Observatório Covid-19 BR, lembrou que “autotestes sozinhos não são a solução para a pandemia. PFF2s sozinhas não são a solução para a pandemia. Vacinação é a ferramenta mais poderosa que temos, mas, especialmente em momentos mais críticos, precisamos de outras intervenções em paralelo. Controlar a pandemia envolve a sobreposição de diversas medidas eficazes, mas imperfeitas, por meio de políticas públicas coordenadas”.

“Nada zera o risco, mas muitas coisas podem ajudar a diminuí-lo”, disse o pesquisador, indicando que é “cada vez mais importante que mantenhamos o máximo de cuidado em locais e contextos de maior risco, mas que busquemos alguma qualidade de vida também para aguentar essa maratona”.

“E justamente por isso é fundamental compreender como o vírus se transmite, contextos de maior risco e medidas preventivas eficazes para cada contexto.”

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