Poeta Perdido

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Um poeta perdido
Palavras sem dono
Condenadas ao vácuo eterno
Do vazio da mente poética.

Um vazio de alma
Que me atravessa
Tal qual um buraco negro
Destinado a apagar da existência
Qualquer vestígio restante
De uma criatividade um dia latente.

Eu me perdi
Não foi álcool
Mas com certeza eu posso chamar de droga.

Não foi o amor
Muito menos a paixão
Apenas um eterno paradoxo ambulante
Nesta casca por vezes insensata
Em um universo oblíquo
Que eu chamo carinhosamente
De minha mente.

E como um pescador de ilusões
Me senti a pescar num rio seco
Pescando abstrações
De peixes outrora imponentes
E quando eu haveria de sair e contar pro mundo
Me toquei que não passavam de histórias de pescador.

Não seria eu um pescador?
E os poemas minhas histórias?
Será que eles sequer existiram?
Porque enquanto eu vivo a realidade
Eles vivem distante de mim
Apenas versos incompletos
Que nunca passam pela suave pressão
De estar em uma caneta marcando um papel.

Versos, versos e mais versos.

Minha mente cheia deles
E mesmo assim não saia nenhum.
Seria eu um poeta perdido?
Ou um perdido poeta?

E onde estaria eu perdido?
No seu olhar?
Neste castanho tão negro quanto a noite
Que me abraça e me encanta
Me oferece segurança enquanto me joga de um precipício.

Estaria eu sendo precipitado?

Escrevendo palavras filhas
Antes que os pais sequer tocassem minha mente
E torcendo para que alguém visse nelas
Algum vestígio parco de sensatez ou sentido.

Quem sabe não as ponham em uma coletânea
Encapem, encadernem
Façam um design relativamente bonito
Que eu com certeza não aprovaria
E não me vendam por milhões.

Pedaços de minh’alma encarcerados
Presos dentro de páginas e mais páginas
Rearranjando palavras
Tentando organizar o livro
Assim como tentaram me organizar por dentro.

Seria esta a sina dos poetas?
Terem tantas palavras dentro de si
Que jamais as concretizam em realidades externas.

Estaria eu divagando de novo?
Ou apenas encarcerado mais uma vez?
Seja o que for, me encare no fundo dos olhos
E diga me amar pela eternidade
Assim pelo menos padecerei encarceradamente feliz.

Pois eu amo.
O que? Quem?
Apenas amo.

Permitam que o poeta não faça sentido hoje. Nem amanhã. Nem nunca mais. Apenas permitam ao poeta ser poeta….

*Antonio Rodríguez, estudante e poeta nas horas vagas (e algumas ocupadas também). Apaixonado pela vida, faz o máximo para transformar tudo em poesia. Mantém o Instagram @a.poetizando.me

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