São Jorge se despede da líder comunitária Walkiria Moreno

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Líder do projeto Amigas do São Jorge, Wal foi vítima de uma parada cardíaca e deixa legado de superação e solidariedade

Cecília França

O ativismo comunitário perdeu uma grande líder neste sábado (15), em Londrina. Walkiria Moreno, do projeto Amigas do São Jorge, morreu aos 43 anos, vítima de um infarto fulminante. O sepultamento ocorreu neste domingo, às 10h, no cemitério Jardim da Saudade. Wal, como era conhecida, teve cinco filhos e deixa duas netas.

Walkiria deu diversas entrevistas à Lume sobre a situação das famílias periféricas, especialmente da ocupação Aparecidinha, assistida por seu projeto. Em uma das primeiras matérias, em novembro de 2020, ela falou sobre a luta por dignidade. “Aqui é um projeto voluntário, a gente não tem ajuda financeira de ninguém, é tudo na luta, na batalha. Ninguém quer luxo, mas pelo menos comer, ter a dignidade de ter um arroz e feijão para dar para seus filhos. A fome não espera”.

Alimentar quem precisa é o foco do projeto liderado por Wal. Além da doação de cestas básicas, as Amigas do São Jorge fornecem duas refeição por semana para moradores da região e um café da tarde semanal para as crianças. No momento, lutam para reformar a sede do projeto, destelhada por um dos temporais de outubro do ano passado, e também já lançaram a campanha de arrecadação de materiais escolares para crianças da ocupação.

Nas redes sociais, militantes e amigos manifestaram tristeza pela partida precoce de Wal. “Uma mulher guerreira, que mudou de vida para fazer o bem, frente do projeto Amigas do São Jorge junto com a minha mãe, uma amiga, e parte da família. Não está sendo fácil para nós lidar com essa perda. A Wal é muito querida e será sempre lembrada por todos nós”, postou Heloiza Camilo, filha de Adriana Cordeiro, parceira de lutas de Walkiria.

Lua Gomes, da CUFA-PR e Conexões Londrina, eternizou seu amor e gratidão nas redes. “Gratidão sincera por tudo que me ensinou, por todo amor e troca. Sua luta não acaba, porque seu amor não acaba”, escreveu. À Lume ela acrescenta: “Se existe alguém que poderia aparecer a foto no dicionário para explicar o que é superação, esse alguém é ela”.

Carlos Enrique Santana, do Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH) exalta a luta de Wal. “Deixava de cuidar da própria saúde para cuidar dos excluídos. Era uma pessoa de um coração fora do comum. O Movimento Nacional dos Direitos Humanos do Paraná e o Solidarievida se solidarizam e sentem a perda da amiga e lutadora em favor dos moradores da ocupação Aparecidinha e Sao Jorge. Vá em paz guerreira!”.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST Norte) relembrou a trajetória de superação de Wal e exaltou seu legado.

“Com uma historia de vida marcada por tantas adversidades, Wal lutou como guerreira incansável, uma mulher atuante e altiva, não só em sua comunidade do São Jorge, zona Norte, mas com ação humanista e generosa com muitas periferias da cidade de Londrina. Wal e suas companheiras do projeto no São Jorge, se tornaram grandes amigas do MST construindo diversas ações de solidariedade, sempre recebendo com muito carinho e empatia nossa militância Sem Terra. Sua história e seu trabalho permanente sempre nos engrandeceu e foi inspiração para nós. Seu legado ficará e seguirá conosco”.

A Rede Lume de Jornalistas expressa aqui sua admiração por Walkiria Moreno e presta solidariedade à família e todes que a amavam.

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