Parada LGBTI certifica Rede Lume como parceira da população trans e travesti

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Prêmio Jackeline Benites, criado em homenagem a ativista apucaranense que superou expectativa de vida de 35 anos, foi concedido ao site no Dia da Visibilidade Trans

Mariana Guerin

A Parada LGBTI Apucarana Vale do Ivaí e a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) certificaram a Rede Lume de Jornalistas Independentes como aliade dos direitos travestis e transexuais. O Prêmio Jackeline Benites foi concedido ao site no último dia 29 de janeiro, quando foi celebrado o Dia da Visibilidade Trans.

A ativista trans Renata Borges, idealizadora da Parada LGBTI Apucarana, explicou que a ideia do prêmio surgiu como forma de reconhecer pessoas que “abrem espaço para discussão e que nos amparam”.

“O papel da Parada LGBT, enquanto parada e enquanto Associação Nacional de Travestis e Transexuais, é promover o bem-estar da nossa população e a gente resolveu criar o prêmio para as instituições parceiras e pessoas parceiras porque eu acho que a gente tem que valorizar. A gente está em um grande retrocesso, num mar de retrocesso de direitos humanos, desmonte de políticas humanas, então a gente precisa, sim, valorizar essas pessoas.”

“Particularmente, a gente seleciona a imprensa que dá espaço para a gente, porque não é toda imprensa que quer falar sobre transexualidade e muitas delas, quando falam da gente, é desmerecendo ou tratando a gente no masculino, como é o caso das mulheres trans”, comenta Renata.

Segundo ela, em Londrina, a Rede Lume é uma das principais parceiras do movimento. “Em Londrina nós temos vocês, que são parceiros, que sempre estão levando a causa com toda a humanidade, do mesmo jeito que leva a causa da população negra e as pessoas em situação de rua, a questão da fome, da miserabilidade, então isso é muito importante.”

Parada LGBTI luta pelo reconhecimento das existências trans e travestis

“A gente está em 2022, mas as polícias Civil e Militar e algumas delegacias ainda parecem não reconhecer as nossas existências. Nós estamos debatendo e tentando alinhar uma parceria conjunta com a polícia já há algum tempo”, diz Renata, citando que só em janeiro deste ano três travestis foram esfaqueadas no Paraná.

Renata cita ainda que o Prêmio Jackeline Benites também foi concedido ao Ministério Público, em especial à segunda promotoria de Apucarana, polícias Civil e Militar e Defensoria Pública de Apucarana.

“Quando as meninas foram esfaqueadas, a polícia se sensibilizou, atuou, fez um trabalho efetivo assim como a Polícia Militar de Apucarana, 10º Batalhão, a Polícia Civil, 17º, a Defensoria Pública, através da doutora Renata, que tem se colocado enquanto aliada, mostrando seus serviços, falando que o Estado ampara grupo vulneráveis, grupos ditos como minoritários, mas que, na real, somando todas essas minorias, viram grande maioria, então para nós é uma grande honra.”

“Uma honra muito maior foi a Keila Simpson autorizar a assinatura, o apoio da Antra no prêmio, porque nós precisamos avançar. Precisamos avançar enquanto políticas públicas, enquanto defensoras de direitos humanos. Eu sou uma defensora e eu gostaria que muitas empresas e muitas pessoas entendessem que os direitos humanos nada mais são do que o fundamental. Não existe luta social, luta de combate à fome, se não pensar nos direitos humanos”, opina Renata.

“Não temos como falar do trabalhismo, da luta de classe, se não entendermos, antes de mais nada, a luta pelos direitos humanos. Então, as pessoas que foram premiadas, que foram selecionadas, são pessoas que eu tenho orgulho e tenho a honra de chamar de aliades.”

Para a editora-chefe da Rede Lume, Cecília França, “é uma honra receber o título de aliade da população trans e travesti”. “Desde o início, a Lume se posiciona dessa forma, produzindo e compartilhando conteúdos que tratam dos direitos e potências dessa população. Obrigada especialmente à Renata, pelo olhar gentil para o nosso trabalho.”

Prêmio homenageia militante sobrevivente

O Prêmio Jackeline Benites recebeu esse nome em homenagem a apucaranense que superou a expectativa de vida entre os travestis no Brasil, que é de 35 anos. “É uma mulher com um protagonismo incrível que a própria vivência dela transmite”, diz Renata Borges.

Segundo ela, Jackeline é um elo de união, fortalecimento e amizade na comunidade trans de Apucarana. “Ela é uma mãe, uma amiga, uma sobrevivente de um sistema. É uma mulher com uma história linda, uma mulher empoderada, abandonada pelo poder público de certa forma. É uma mulher que já não tem mais a sua mãe nesse plano e que nem por isso deixa de sonhar.”

Renata destaca que Jackeline fez um “trabalho maravilhoso” de militância uns anos atrás, mas não quer mais estar na militância, passando o bastão para a própria Renata: “Ela é nosso tesouro, nosso rubi, nossa esmeralda. É a nossa antecessora.”

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