Servidores da Clínica Odontológica da UEL protestam contra falta de estrutura

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Funcionários e estudantes reclamam que defasagem na equipe tem causado excesso de trabalho, comprometendo o atendimento à população

Mariana Guerin

Foto em destaque: Arquivo/COM

Servidores da Clínica Odontológica da Universidade Estadual de Londrina (COU) farão uma manifestação nesta quinta-feira de manhã, em frente à unidade, no campus, para protestar contra a falta de servidores na clínica, que tem comprometido o atendimento à população. O protesto é organizado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Técnico-Administrativos da UEL (Assuel), Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina e Região (Sindiprol-Aduel), Diretório Central dos Estudantes (DCE), Centro Acadêmico de Odontologia, professores e residentes do curso.

Segundo a técnica em higiene bucal Lirian Adriana Pereira da Silva, representante dos servidores técnico-administrativos, os funcionários da unidade têm enfrentado sobrecarga de trabalho por conta da falta de pessoal.

“Chegamos a ter, em anos anteriores, um quadro completo com, aproximadamente, 100 servidores nas unidades do campus e do centro. Atualmente, estamos com 44 servidores, mas nem sempre podemos contar com este quadro, por motivos de licença médica, processos de aposentadorias, restrições e férias”, descreve a servidora, que atua na UEL há 31 anos.

Ela tem uma rotina diária de trabalho na Clínica Odontológica de oito horas, dando suporte à academia no setor ambulatorial e em projetos de extensão. “A falta de pessoal compromete não só o suporte à academia como o atendimento ao usuário”, pontua.

Lirian destaca que a clínica nunca deixou de funcionar, “mesmo nos tempos atípicos de pandemia”, mas que a equipe tem encontrado dificuldades para desenvolver as atividades no dia a dia. “Há anos o governo não repõe servidores técnicos para aqueles que se aposentaram ou vieram a óbito”, reforça.

Conforme a servidora, nesta semana, a clínica chegou a contar com apenas 28 funcionários para atender a demanda devido às licenças médicas. “Temos compromisso com a população e não deixamos de atender quem procura a COU, mas estamos trabalhando no limite porque temos de cobrir outros setores que estão sem servidores”, desabafa.

“Muitas vezes, o usuário vem ao Pronto Socorro na hora do almoço e vê os guichês fechados porque o pessoal precisa almoçar e não tem ninguém para atender. A população não entende e faz vários xingamentos contra a gente. É muito estressante”, lamenta Lirian.

A COU tem por finalidade proporcionar estrutura física, humana e logística ao Curso de Odontologia, para as atividades do ensino, da pesquisa, da extensão e da prestação de serviços, de forma integral e humanizada, interdisciplinar e multiprofissional, contribuindo para o atendimento e melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Ela conta com ambulatórios multidisciplinares, laboratórios, sala de aula e setores de apoio administrativo.

O Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) presta atendimentos especializados em Periodontia, Endodontia, Prótese, Dentística, Cirurgia e Odontopediatria. Os pacientes são atendidos somente mediante agendamento pela Rede Pública. Já o Pronto Socorro Odontológico atende urgências e emergências de segunda a sexta, das 7h às 22h e aos sábados, das 7h às 18h.

Clínica Odontológica atende, em média, 500 pacientes por dia

Ligia Sayanne Maria de Oliveira Cunha cursa o quinto ano de Odontologia na UEL e é uma das representantes do Centro Acadêmico XXI de Abril. Ela explica que os estudantes têm aulas teóricas nas salas de aula e, a partir do segundo ano, já realizam atendimentos a pacientes, nos estágios da COU. “Os alunos dos últimos anos realizam atendimentos a pacientes todos os dias.”

Ela convive com a queixa da falta de funcionários desde quando iniciou a graduação. “Com a pandemia tem piorado. Os funcionários têm se desdobrado muito para conseguir lidar com essa situação, é muito trabalho para ser feito com poucos funcionários, como, por exemplo, a esterilização.”

“Todos os dias, após os atendimentos, nós, alunos, levamos os materiais na central para esterilizar e precisam estar prontos já para o dia seguinte. Tem a limpeza e manutenção da clínica, que também vem sendo prejudicada desde que nós mudamos do centro, na Rua Pernambuco, para a nova COU, no campus, com uma estrutura maior, mas não houve novas contratações.”

“Os alunos têm tentado ajudar os funcionários, por exemplo, na limpeza, limpando seus equipamentos. Tem a questão da recepção e esclarecimentos de dúvidas na entrada da COU, pois são muitos pacientes ao dia e poucos funcionários para o atendimento”, pontua a estudante.

Segundo ela, todo o atendimento fica comprometido, desde a recepção dos pacientes, agendamentos, esterilização de materiais, limpeza, reposição de materiais na clínica, estatística dos prontuários para que cheguem os recursos do SUS na clínica, manutenção do espaço físico usado, como cadeiras, quando quebradas etc. “A falta de servidores afeta diretamente a todos nós alunos.”

Ligia estima que a COU recebe, em média, 500 pacientes por dia, seja em atendimentos nas residências, de alunos da graduação, no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e Bebê Clínica. Já o Pronto Socorro Odontológico atende, em média, 40 pacientes ao dia, das 7 às 23 horas. “É um dos setores que mais sofre com a falta de funcionários, sendo o PS uma das fontes de mais aprendizados para nós, alunos, no estágio”, diz.

Para ela, com a pandemia, a situação se agravou, principalmente com o afastamento de funcionários com covid-19, ou por outros problemas de saúde, e aposentadorias. “Também tem a questão da biossegurança, onde o ambiente clínico deve estar sempre limpo e adequado, segurança de máscaras e distanciamentos.”

Falta de servidores é problema crônico

Para o presidente da Assuel, Marcelo Seabra, a falta de servidores é um problema crônico em toda a universidade. Ele acredita que com a aprovação da Lei Geral das Universidades (LGU), a situação tende a piorar.  

“Há anos, o governo do Estado não repõe o quadro de trabalhadores da UEL e agora, com a LGU, já disse que não vai contratar porque a UEL tem servidores de sobra. Isso não corresponde à verdade. Por este motivo, vamos fazer este protesto para mostrar o caos que está ocorrendo, principalmente nos órgãos suplementares que prestam serviços gratuitos à população, como é o caso da COU”, justifica.

Estado nomeou um técnico em higiene dental para a UEL

Em nota, a Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) do Paraná informa que o governo do Estado nomeou, desde 2019, 79 agentes universitários e 51 docentes, aprovados em concurso público, para a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Neste quantitativo foi nomeado um técnico em higiene dental.

“Enquanto perdurar os efeitos do Decreto 4319/2020, que determinou o estado de calamidade pública em decorrência da covid-19, não haverá novas nomeações de aprovados em concursos públicos, que tiveram seu prazo de validade suspenso. O prazo do decreto foi prorrogado até 30/06/2022”, diz a nota.

Ainda conforme dados da Seti, “a partir de 2022 passou a vigorar a Lei Geral das Universidades (LGU), Lei 20.933/2021, de 17 de dezembro de 2021, que reforça a autonomia administrativa, didático-científica e de gestão financeira e patrimonial das instituições de ensino superior. Entre várias medidas, a nova lei promove uma nova forma de gestão das instituições estaduais de ensino superior do Paraná”.

“A normativa possibilita a quantificação da força de trabalho, que pode ser alocada conforme decisão da administração das universidades. Já os extintos cargos operacionais são contemplados no orçamento de custeio das instituições, no âmbito de serviços profissionais terceirizados, e podem ser direcionados para quaisquer unidades acadêmicas ou administrativas, conforme a prioridade dos reitores.”

“Em síntese, a LGU reforça a autonomia decisória das universidades, assegura o número de vagas para gestão das atividades organizacionais, em conformidade com a missão institucional, e ainda viabiliza o aporte de recursos financeiros para a contratação de serviços terceirizados”, finaliza a nota.

A reportagem procurou a UEL para comentar sobre a manifestação dos servidores mas não obteve resposta até o fechamento da edição.

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