PM acusado de matar Gabriel Sartori vai a júri na próxima segunda

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Bruno Carnelos Zangirolami responde por homicídio doloso; “Vejo como um assassinato mesmo. Meu filho não estava roubando, não houve confronto”, diz a mãe de Gabriel

Cecília França

Foto em destaque: ‘Lambes’ esoalhados pela cidade/Fonte: @popularalternativa

Vai a júri popular na próxima segunda-feira (21) o policial militar Bruno Carnelos Zangirolami, responsável por disparar o tiro que matou o adolescente Gabriel Sartori, então com 17 anos, em junho de 2017, no Conjunto Cafezal, Zona Sul de Londrina. Familiares e amigos de Gabriel planejam uma manifestação em frente ao Fórum pedindo justiça. Zangirolami responde por homicídio doloso. Para o Ministério Público, ele assumiu o risco de matar (dolo eventual) ao atirar no sentido do grupo de adolescentes.

“Acho que é um caso bem diferenciado dos outros; Vejo como um assassinato mesmo, meu filho não estava roubando, não houve confronto. Os promotores veem isso, um assassinato comum. A pessoa simplesmente saiu e atirou, ele assumiu o risco, não como policial, como ser humano comum. Ele não estava fardado, nem em horário de trabalho, não estava em confronto, ninguém havia acionado a polícia”, diz a mãe de Gabriel, Cristiane Sartori.

Leia mais: ‘Não consegui pensar que ele estava morto’, diz amigo de Gabriel Sartori

Anualmente Cristiane promove manifestações na data do crime pedindo por justiça.

O Movimento Autônomo Popular (MAP), que integra a Frente Classista e Combativa de Londrina, é parceiro da família nestas ações e já iniciou a colagem de cartazes com os dizeres “Justiça para Gabriel Sartori” em vários pontos da cidade. Uma forma de mobilizar a sociedade em torno do caso. Os ativistas também produziram uma carta pública assinada por diversas pessoas e entidades, incluindo a Rede Lume (leia abaixo).

“Os meninos do MAP estão organizando uma coisa grande, colando os ‘lambes’. Dessa vez não estamos fazendo apenas na região Sul, outros coletivos pediram os cartazes para distribuir em outras regiões da cidade. A ideia de postar algumas faixas pela cidade, acredito que vai ter bastante gente durante o dia (no Fórum)”, acrescenta Cristiane.

Para a mãe, uma possível condenação do réu trará alívio. “Ele sendo condenado eu vou sentir como se tivesse feito a justiça pelo meu filho. A perda dele vai doer para sempre, a falta dele vai ser para sempre, só que se eu souber que a justiça foi feita, traz sim um alívio”, acredita. Zangirolami segue nos quadros da policial militar em trabalhos burocráticos.

Para Cristiane, uma condenação pelo Tribunal do Júri levará a uma atitude da corporação. “A PM é praticamente obrigada a fazer isso. Eles ficam esperando o julgamento primeiro, dependendo da decisão aqui é o que eles tomam lá. Ele vive normal, como se nada tivesse acontecido, e isso me criou muita revolta”, lamenta.

O julgamento está marcado para as 9h, com restrição de público por causa da pandemia, e pode ser acompanhado pelo Youtube do Tribunal de Justiça. A reportagem tenta contato com a defesa do réu.

Confira a carta divulgada por entidades e coletivos da sociedade civil:

CARTA ABERTA DE CAMPANHA POR JUSTIÇA PARA GABRIEL SARTORI

No dia 15 de junho de 2017, Gabriel Sartori, de apenas 17 anos, foi covardemente assassinado por Bruno Carnelo, policial militar, que não estava sequer à trabalho no momento. Esse absurdo ocoerreu no conjunto Cafezal, Zona Sul de Londrina. Gabriel não estava armado, não tinha passagem pela polícia e não cometeu crime algum. Lutamos por justiça há quase 5 anos, e dia 21 de fevereiro finalmente ocorrerá o julgamento, com júri popular, do policial responsável pela sua morte. Gabriel foi mais um jovem que teve sua vida interrompida pela covardia polícial. Lutamos e lutaremos até o fim por ele e por todos os jovens periféricos que já tiveram suas vidas perdidas, e para que isso nunca mais aconteça.

Compareça ao Fórum Criminal – av Tiradentes, 1575 – no dia 21/02 ás 9h, para prestar seu apoio e lutar contra à violência.

Queremos justiça! Queremos que paguem pelos seus atos! Chega da truculência policial! SÓ HAVERÁ PAZ QUANDO HOUVER JUSTIÇA!

ASSINARAM A CARTA:

– Alternativa Popular (AP)
– Sindicato Independente de Trabalhadores e Trabalhadoras (SIT) 
– Movimento Autônomo Popular (MAP) 
– Frente Trans Londrina 
– Coletivo Anarquista Luta de Classe (CALC/CAB)
– Jornal “Companheiro” 
– Frente Autônoma de Juiz de Fora (FautonomaJF) 
– Ação Antifascista Londrina (AFA Londrina) 
– Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil (FOB) 
– Força Autônoma Estudantil 
– Portal do Rap Londrina 
– Casa da Resistência 
– Movimento de Unidade Popular (MUP) 
– Banhado Resiste
– Carneiro, Vicente e Colli – Advocacia Humanista 

– Ação Antifascista Rio de Janeiro 
– Coletivo de Ação Direta 
– Antifa Hooligans 
– Avante 26 
– ABC Antifa 
– Brigada Lucas Eduardo Martins

– Icamiabas 
– Levante Popular da Juventude
– Resistência Alviverde 
– Resistência Atleticana 
– Atleticanhotos 
– Gralha Marx 
– Resistência Operariana 
– Coletivo Feminista Coritibano 
– Rede Lume de jornalistas

– Anti Mídia 
– Chavoso da USP 
– Artein Uel 
– Bancada Alveceleste

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