Pobreza menstrual: campanha do Dia da Mulher arrecada absorventes íntimos

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Pontos de coleta estarão presentes no shoppings Catuaí, Aurora, Boulevard e Londrina Norte durante todo o mês de março como forma de combate à pobreza menstrual em Londrina

Da redação

Foto em destaque: Pixabay

Neste mês de março, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta terça (8), shoppings de Londrina se juntaram numa campanha de arrecadação de absorventes íntimos que serão distribuídos a mulheres em situação de vulnerabilidade social.

De 8 a 31 de março, os shoppings Catuaí Londrina (Zona Sul), Boulevard (Zona Leste), Aurora (Zona Sul) e Londrina Norte se tornam ponto de coleta dos itens de higiene da campanha “Absorva essa Ideia”.

Dados de um estudo realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil apontam que cerca de 4 milhões de jovens mulheres que frequentam a escola não têm acesso a itens básicos de cuidados menstruais. O impacto da chamada pobreza menstrual se reflete diretamente na evasão escolar.

Segundo o coletivo Igualdade Menstrual, uma a cada quatro adolescentes brasileiras falta à escola quando está menstruada porque não possui absorventes. São aproximadamente 45 dias letivos perdidos por ano, o que aumenta a evasão escolar e a desigualdade de gênero.

Pobreza menstrual provoca evasão escolar

“A pobreza menstrual é uma dura realidade e pouco se fala sobre ela. Se pensarmos que uma menina pode não ir à escola quando está menstruada porque não tem condições de comprar seu absorvente, os impactos a longo prazo são profundos. Essa é mais uma das barreiras sociais que as mulheres enfrentam e penso que juntos podemos combatê-las”, diz a superintendente do Catuaí Shopping, Fernanda Pires.

Para a superintendente do Shopping Boulevard, Tânia Hara, a campanha ajuda a sociedade a olhar mais atentamente para um tema tão importante, porém pouco discutido. “Quando comemoramos o Dia da Mulher, precisamos olhar principalmente para as nossas vulnerabilidades, para que possamos nos ajuar mutuamente.”

“A pobreza menstrual é uma realidade que está evidente e que tem impacto na autoestima, na segurança da mulher, na educação, no trabalho, na vida social. Estamos engajados nessa campanha para contribuir e para ampliar o olhar da sociedade nesta causa, que é real e urgente”, afirma Tania.

‘Falta de acesso a absorventes é apenas uma das dimensões da pobreza menstrual’

Em setembro de 2021, o Senado aprovou projeto de lei 4.968/2019, da deputada Marília Arraes (PT-PE), que previa a distribuição de absorventes para alunas de baixa renda de escolas públicas, mulheres em situação de rua ou extrema vulnerabilidade, mulheres e adolescentes privadas de liberdade. O item também se tornaria obrigatório nas cestas básicas distribuídas pelo Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

Mas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) freou esse avanço no combate à pobreza menstrual vetando os artigos da lei que tratavam da distribuição. Como argumento, diz que não foram especificadas as fontes de custeio para a compra dos produtos. O Coletivo Igualdade Menstrual, fundado em Curitiba, repudiou a decisão presidencial e já está se articulando com a Secretaria da Mulher de Brasília e a Procuradoria da Mulher do Estado para pressionar o Congresso pela derrubada dos vetos presidenciais.

“A falta de acesso a absorventes é apenas uma das dimensões da pobreza menstrual, e atinge com bastante força qualquer pessoa que menstrua e que se encontra em situação de vulnerabilidade em nosso país. Em números, isso compreende mais de 25% das mulheres brasileiras. São milhares de meninas e mulheres que são obrigadas a utilizar itens improvisados de absorção de fluxo, como papel higiênico, jornal, sacolas, areia e miolo de pão, que as impactam fisicamente, emocionalmente e psicologicamente todos os meses”, declara a coordenadora do coletivo, Andressa do Carmo.

A ativista avalia que o PL de Marilia Arraes “é o mais completo já aprovado pelo Senado na história do nosso país”. “Se tivesse sido sancionado pelo Presidente Bolsonaro sem vetos, o Brasil se equipararia à Escócia, em termos de dignidade menstrual, que hoje é o único país do mundo que distribui absorventes gratuitamente à população”.

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