Pra não dizer que não falamos das flores

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Voltamos, caros leitores, mas hoje não teceremos grandes críticas ao governo federal, às instituições ou à sociedade em que vivemos, voltamos para falarmos de esperança e luta popular.

No último sábado, Londrina recebeu o primeiro evento das andanças de Lula pelo Brasil. Começou no MST, no seio do maior movimento popular deste país – senão do mundo. No Assentamento Eli Vive, que, para nosso orgulho, é o maior assentamento dentro de região metropolitana do Brasil, com 501 famílias assentadas – além de famílias que foram se agregando ao assentamento com o aprofundamento das políticas neoliberais no país e, consequentemente, do desemprego e da miséria. Foi nesse assentamento que produz a maioria da alimentação saudável do Brasil e que é símbolo para os novos tempos do Movimento, junto de outros país afora, que o ex-presidente Lula deu o tom inicial do que vai ser a maior campanha desde 2002.

Tudo isso tem motivo e a simbologia deve ser entendida.

Estamos afundados em um governo que massacra seu povo e criminaliza os movimentos populares; que considera o genocídio de povos indígenas a solução de um “problema de civilização” – a la neocolonialismo -; que entrega as pessoas à fome e à miséria e que ri da morte de mais de 657 mil pessoas por uma pandemia que tinha forma de controle e uma doença que tem vacina.

Vivemos tempos de guerra híbrida, nos quais a AGU atua a favor de empresa privada para manter a rede de fake news e desinformação do genocida ativa e em que o vil do presidente demonstra apoio a um líder mundial que já ajudou outro conhecido candidato do novo fascismo, mesmo diante da maior crise geopolítica desde o fim da guerra fria. Vivemos em tempos em que as grandes mídias nem mais disfarçam seus apoios políticos e batalham para ver quem ganha e quais interesses terão preferência. Enquanto isso, os pré-candidatos que vão contra seus interesses continuam tendo contra si campanhas de difamação ou, ao menos, pouquíssimo espaço midiático. Basta ver a Globo com o marreco da terceira via e as demais (SBT, Record e Band) com o atual presidente.

É muita coisa em jogo e as peças desse xadrez já não mais se enrubescem de declarar apoio a um fascista escancarado ou um golpista de quinta categoria.

É por isso que não tem outro jeito, para que possamos derrotar esse governo – que significa muito mais que a família daquele sujeito ignóbil – e vencer as eleições – impedindo a subida ao poder de genocidas de terno – para, então, poder tentar começar a reconstruir tudo o que foi destruído, precisamos de duas coisas: união e retorno às bases. E foi isso que significou esse encontro, em que mais de 10 mil pessoas compareceram a um dos símbolos de sucesso do MST, união e luta de base.

Acima de tudo, significou o renascimento da esperança e da alegria da esquerda, regado de amor, alimento e arte.

O tom foi claro: vamos unir o Brasil na bandeira que mais importa no momento, as pessoas. Enquanto pessoas forem dormir com fome e sem condições mínimas de (sobre)vivência, não há descanso. E o único jeito de fazermos isso é voltando nossos olhos para aqueles que mais contribuem para o país, o trabalhador, o pai e a mãe de família que dá tudo de si para sua família e que, com isso, ajuda a manter essas terras tupiniquins de pé; vamos colocar de novo no orçamento esse povo trabalhador, e vamos colocar no “imposto de renda” aqueles que mais deveriam contribuir, mas que insistem em apenas comer o bolo, sem ajudar em seu crescimento.

É desse movimento de renascimento, popular e para o povo, que o caminho será trilhado.

*Paula Vicente e Rafael Colli são advogados especializados em causas de Direitos Humanos, minorias políticas e Direito Penal em Londrina

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