Cesta básica custa R$ 620 em novo recorde histórico

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Alta quase geral dos preços é resultado do aumento dos combustíveis; cesta compromete mais de 51% do salário mínimo

Cecília França

Foto em destaque: Eduardo Santos/Unsplash

A cesta básica de alimentos custou R$ 620,76 em março, em Londrina, em novo recorde histórico registrado pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Nupea). O valor compromete 51,3% do atual salário mínimo e representa aumento de 7,1% em relação a fevereiro. Para uma família de quatro pessoas, o valor da cesta atingiu R$ 1.862,27. A inflação acumulada em 12 meses chega a 27,8%.

Dos 13 produtos pesquisados, 11 apresentaram alta em março, em decorrência da alta dos combustíveis. Este foi o principal motivo do recorde atingido, explica o coordenador da pesquisa, Marcos Rambalducci. “Além das peculiaridades que atingem cada um dos produtos de forma específica, tivemos um componente que atingiu a formação de custos de todos os produtos: o aumento dos combustíveis, na medida que todos os produtos precisam ser transportados da fonte de produção até o varejo. Os hortifruti costumeiramente apresentam oscilações fortes de uma semana a outra, pois estão mais sujeitos a variações climáticas que afetam a oferta dos produtos”.

O tomate foi, novamente, o produto com maior alta: 34,8%. Se em fevereiro o preço médio do quilo estava abaixo dos R$ 5, em março chegou a R$ 11. Batata (18,9%) e leite (16%) vêm na sequência de maiores altas. Sobre este último, Rambalducci explica que há impacto da instabilidade econômica e política mundial.

“A combinação de custos de produção em alta (muitos dos insumos da produção leiteira são importados) e redução da oferta de matéria-prima – resultado da guerra entre Rússia e Ucrânia – bem como as altas nos preços dos fretes, fez com que o preço do litro de leite alcançasse nas últimas semanas este patamar mais elevado”.

O oléo de soja (15,2%) e o café (8,6%) também registraram altas expressivas. Enquanto o preço médio do óleo era de R$ 8,25 em fevereiro, em março subiu para R$ 9,51. Já o café era encontrado por um preço médio de R$ 12,63 e agora está em R$ 13,72. Arroz (5,1%), pão (4,9%), carne (2,6%), farinha (2,2%), açúcar (1,9%) e feijão (0,8%) foram outros produtos com elevação.

‘Não existe espaço para aumento’

O economista avalia que não há mais espaço para aumentos dos produtos nos próximos meses. A lei da oferta e demanda deve frear os preços. “Há um limite de alta que pode ser aplicado aos preços, pois chega um momento que simplesmente não há renda para a aquisição de produtos. Com isso a oferta supera a demanda e provoca um recuo nos preços ou simplesmente a perda do produto na gôndola”.

“Levando isto em consideração e percebendo a atuação forte do Banco Central em atuar no sentido de conter este processo de inflação, mesmo com um ambiente externo conturbado e ambiente interno também de muita volatilidade, não existe espaço para aumento nos preços, na minha percepção”.

Variação entre supermercados

A pesquisa do Nupea é feita em 11 supermercados de todas as redes atuantes em Londrina. Caso o consumidor, em uma situação hipotética, conseguisse adquirir todos os produtos mais baratos, pesquisando em todas as unidades, gastaria R$ 512, uma economia de 17,5%.

Rambalducci explica que as diferenças de preços entre os estabelecimentos decorrem do público-alvo e dos custos de cada um. “Há unidades supermercadistas que estão instaladas no centro da cidade, que buscam em atender a demanda de pessoas de mais idade, que consomem produtos de qualidade superior mas em pouca quantidade, pois moram sozinhos. Outros focam o público de mais baixa renda e tem uma maior oferta de marcas e qualidades distintas. Além disso, cada unidade tem sua própria composição de custos, que envolve tanto o valor de locação quanto a forma de atendimento – enquanto alguns supermercados levam as compras até o apartamento do cliente, outros não tem nem empacotadores”.

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