Ato pede justiça por jovem de 17 anos morto pela PM em janeiro

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Pai de Ítalo da Silva Rodrigues, baleado por policiais militares durante abordagem do Choque, na Zona Oeste de Londrina, prestará depoimento sobre o crime na Subcorregedoria Regional da PM nesta terça

Mariana Guerin

Foto em destaque: Arquivo Pessoal

Familiares e amigos do jovem Ítalo Silva Rodrigues, que foi morto por policiais militares, aos 17 anos, em janeiro, na Zona Oeste de Londrina, farão um ato de justiça às 14 horas desta terça-feira (12), no estacionamento da Subcorregedoria Regional da Polícia Militar em Londrina, no Jardim Brasília, onde o pai dele, Célio da Silva Rodrigues, prestará depoimento sobre o crime.

Por volta das 18h30 do dia 2 de janeiro de 2022, Ítalo foi baleado dentro do carro conduzido por um amigo dele, enquanto eles estavam a caminho da casa de amigas. Segundo informações do pai do adolescente ao site Notícia Preta, a dupla teria cruzado com uma viatura do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM).

Um policial teria apontado a arma para os jovens e começado a atirar. Nervoso, o motorista do carro onde estava Ítalo teria acelerado o veículo, que se envolveu num acidente. Antes da PM bloquear a rua, o rapaz conseguiu fugir.

Conforme Célio, Ítalo foi atingido por disparos nas costas. “Com muita dificuldade, ele abriu a porta do carro, com as mãos na cabeça, e pediu para eles não matarem.” Esta informação foi confirmada por testemunhas que estavam no local no momento da abordagem policial.

“Como a rua estava cheia, os policiais colocaram a viatura na frente para as pessoas não verem e começaram a atirar no meu filho. Ele foi morto com dois tiros nas costas e vários no abdômen e nas pernas”, descreveu Célio ao site Notícia Preta.

Ítalo ao lado do pai e dos irmãos menores/Arquivo Pessoal

Morto pela PM: pai do jovem sofreu ameaças

Ao site, ele contou que depois de registrar boletim de ocorrência, passou a sofrer ameaças policiais. “Eles já vieram até na porta de casa, está difícil. Tenho um outro filho, de 15 anos, e tenho muito medo de que eles façam alguma coisa com ele também”, desabafou.

Célio teve que apresentar a certidão de óbito do filho na Subcorregedoria Regional sem nenhuma convocação formal da PM, e ao chegar lá, foi avisado para “tomar cuidado para não cair da escada”.

“Estranhei que eles não pediram meus documentos, não registraram meu depoimento. Só me levaram em uma sala e começaram a me fazer um monte de perguntas. Como eu não respondi nada, eles ficaram me olhando, durante uns 40 minutos, como se quisessem me intimidar.”

Crime segue sem resposta

A estudante da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Solana Titiloyê Oliveira Rodrigues, 19 anos, irmã de Ítalo, contou que o pai foi intimado a depor na Subcorregedoria Regional na última sexta-feira (8).

“Antes dessa intimação, eles tinham enquadrado meu pai no dia em que ele levou o atestado de óbito na Subcorregedoria, mas meu pai disse que só iria depor quando chegasse intimação.”

Segundo Solana, apesar de ter outro rapaz com Ítalo no veículo abordado pelos policiais militares, apenas o irmão dela foi alvejado. “Fizemos boletim de ocorrência e até agora não recebemos nenhuma resposta sobre a medida protetiva, pois tem um policial seguindo meu irmão de 15 anos”, revelou.

“Encaminhamos as provas e só agora estão em análise. Estamos esperando por uma resposta”, reforçou Solana, que convocou integrantes do Movimento Autônomo Popular (MAP) para “fazer um barulho, pedindo resposta”, durante o depoimento do pai, nesta terça.

Além de Ítalo, Solana tem um irmão de 15 anos, que vem sendo seguido por policiais, e uma irmã de 13 anos. “Os que mais podem correr risco são meu pai e meu irmão”, declarou.

Ítalo e Solana e seus irmãos menores/ Arquivo Pessoal

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do 5 Batalhão da Polícia Militar de Londrina para comentar sobre o caso mas não recebeu resposta até o fechamento da reportagem.

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