Chiclete com banana dá liga?

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O Rio amanheceu cantante, um certo espírito desafiador pairava no zéfiro. Desconfio que eram Jackson do Pandeiro e Emilinha numa desgarrada.

Um duelo musical em que, Jack e seu pandeiro, apontava um mascar de canto de boca, um chiclete com banana e gritava: A, E, I, O, U, Y(pissilone). Acabou sendo retrucado, veementemente, pela “Garota Grau Dez Favorita da Marinha”: “a Chiquita é bacana e se veste com casca de banana sim, e daí?”.

Existencialista como o Sol de um, quase verão. A confusão acabou com a chegada de Dalva: “Bandeira Branca…!”, afinal, branca é a tez da manhã.  Com certeza o limbo está em festa, é o samba-rock meu irmão. O Sol anda ousado, numa dança sensual, quase erótica, serpenteia pelas costas de Íbis, beija-a, afaga-a, carinha-a, adoça-a. O(n)de há açúcar, há afeto.

Tem vindo boêmio, dandy, flâneur como num poema de Baudelaire: “…Du temps que la Nature en sa verve puissante/Concevait chaque jour des enfants monstrueux,/Dormir nonchalamment à l’ombre de ses seins,/Comme un hameau paisible au pied d’une montagne.”

Anda encantador nos últimos dias, ainda colorindo corpos. Alguns dias, tem sido pura timidez…; clareia e ‘pasqualiza’! A passarada é quem está meio ausente; parecem ter ido cantar em outras freguesias. A Lua vivencia um crescer, infla pouco a pouco, tem se mostrado bela, faceira. Venta, ventania matinal. Uivos por entres as entranhas da Nikon.

Nos meus fones, Francis Hime. Saudades, poeta! “…Salve o Rio de Janeiro/Foi ali que um milagre aconteceu/Fez nascer generosa natureza/Rara beleza/Cidade que é maravilhosa/Esplendorosa…”, vejo-te da janela, enquadrada, emoldurada, destacada.

Vejo-te com emoção, maravilhosa, vejo-te Sol, acolho-te Lua. Canto-te em verso, quem sabe, em prosa. Falo contigo. Tu me ouves, me respondes, revida meu amor por ti. Ah cidade amor, oh musa escancarada em luz, oh Ria, ria, rio, Rio. Serás janeiro? Serás leal? Serás sorriso? Será admirável?

Serás Rio de Janeiro a janeiro? Serás fiel? “Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão.” coloca Baudelaire.

As águas de março sempre fecham o verão. Que sejam sempre, todos, bons-dias! Sempre bons-Rios (apesar de tudo)!

*Carlos Monteiro é cronista, jornalista, fotógrafo e publicitário carioca. Flamenguista e portolense roxo, mas, acima de tudo, um apaixonado pela Cidade Maravilhosa.

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