Alencar, Dragão do Mar, Terra Luz   

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Sob os auspícios da Magnésia de Phillips está no ar… este era o prefixo ouvido nos programas da Rádio Clube Fortaleza. Arrepiava muita gente, na cidade da “loura desposada do Sol”, nossa querida “Fortal”.

Um dos meus fiéis dez leitores, não mais que isso, mestre em Literatura Brasileira e poeta Adriano Espínola, nascido em terras alencarianas, torrão natal de Iracema, índia tabajara, virgem dos lábios de mel, apaixonada por Martim, me enviou uma cartinha via WhatsApp. Nela, relatava sua memória olfativa em relação aos elixires que tomara, quando menino corrediço, ‘galalau’ que ‘botava buneco’,  aprontando o maior ‘salseiro’ pelas areias do Mucuripe, pura ‘danação’. ‘Marminino’, ‘ô corralinda’!

“Bom dia, Carlos. Ótima crônica – em referência à crônica dos bondes. Aqui em Fortaleza não passei por essa experiência de bondes. Nem tomei óleo de fígado de bacalhau. Tomei Biotômico Fontoura e Magnésia Philips. E algumas porradas quando moleque. Que aliás continuaram vida afora. Grande abraço.”

Tomava todas as panaceias, ainda que muito a contragosto,  para não ficar um ‘sibite baleado’. Tinha medo de ‘visage ’de ‘quebranti’, tomava para não ficar ‘abestado’.

Vontade mesmo tinha de ‘rebolar no mato’, junto a um ‘pé de pau’, mandar para ‘a baixa da égua’, aqueles pancrestos indigestos, ‘catinguentos’ e ‘chechelentos’.

‘Aregava’, mas tomava. É a vida!

Quanto aos ‘catiripapos’, ‘cascudos’, ‘chapuletadas’, ‘cocorotes’, ‘troletadas’, ‘chibatadas’ e ‘dormidas com o couro quente’, foram levados com muito bom humor por esse trovador ‘arretado’.

Adriano sempre sacudiu a poeira, deu a volta por cima, como fazem milhares e milhares de brasileiros diariamente. Euclidianamente, sempre, acima de tudo, fortes!

Vaiou o Sol na Praça do Ferreira, conheceu a história do bode Ioiô, que em 1922 foi eleito vereador, ‘Ô povo pra frescar’. Era um protesto à política da época. Chegou a “tomar posse”, despachando, cotidianamente, na Praça mais democrática do país. Está empalhado no museu do Ceará, em Fortaleza, para eternidade.

Adriano é um destes milhões de brasileiros que quer acreditar no amanhã, que toma cura-tudo amargos, por pressupor que, o sacrifício de agora, implicará num futuro melhor, que como minha menina dos olhos de jade, meu maior legado, que leva o nome no olhar, investe no saber, no aprender, para empreender em prol de uma sociedade mais justa, humanizada, em que os valores do ‘ter’ sejam, muito menores que os do ‘ser’.

O Ceará me deu amigos ‘joiados’, como o Adriano, Paulinho Leme, Verônica Prado, Falcão, Carri Costa e seu maravilhoso Teatro da Praia, o fantástico Patativa do Assaré, Aldemir Martins, Maninho Brígido, Cérvulo Esmeraldo, Gentil Barreira, Zé Rosa, Patrícia Veloso, Solage Teixeira, Dona Yolanda Queiroz, Manassés, Fagner, Rocicleia, Adamastor Pitaco, Zé Modesto, Seu Lunga no Cariri, Lailtinho Brega, Augusto Bonequeiro, Ciro Santos, João Ignácio Jr., Aurineide Camuripim, e tantos outros, que me perdoarão tê-los esquecido, com a alma caridosa que todo cearense tem. Me deu uma filha incrível, a mãe dela, que é de uma beleza d’alma encantadora e a esperança de ter fé na vida. Sempre!

Trouxe lembranças do Cego Aderaldo, do folclórico ‘Burra Preta’, do pastel, onde a azeitona ‘tem caroço’, do ‘Leão do Norte’, na velha Praça do Ferreira, do Museu da Fotografia, único no país…

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água…/…Desculpe eu pedir para acabar com o inferno…” – Luiz Gonzaga e Nelinho.

Que as velas do Mucuripe saiam para pescar esperanças, expectação que, haverá, muito em breve, um mundo muito melhor. Que os ‘espilicutes’ e os ‘espritados’ deem lugar aos ‘pais d’égua’ e aos ‘quintura’!

Só deixarei meu Cariri, no último pau de arara!

*Carlos Monteiro é cronista, jornalista, fotógrafo e publicitário carioca. Flamenguista e portolense roxo, mas, acima de tudo, um
apaixonado pela Cidade Maravilhosa.

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