‘Mulheres são minoria na Assembleia porque quiseram isso’, diz deputado paranaense

Publicado por

Deputadas reagiram à fala de Homero Marchese (Republicanos), contrário à criação da Bancada Feminina; dos 54 parlamentares estaduais, apenas 5 são mulheres

Cecília França

Foto em destaque: Deputado Homero Marchese/Orlando Kissner-ALEP

As cinco deputadas estaduais paranaenses reagiram hoje, em plenário, a uma declaração considerada machista do deputado Homero Marchese (Republicanos). Ontem, em reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa (ALEP), Marchese se posicionou contrariamente ao projeto de resolução 5/2022, de autoria das deputadas, que pretende criar a Bancada Feminina na Assembleia, bem como reservar 30% de participação para mulheres na Mesa Diretora da Casa.

“Estamos estabelecendo, basicamente, cota para a maioria. Eu não sei porque, mas as mulheres são maioria na sociedade, se as mulheres são minoria na Assembleia, é porque as mulheres quiseram isso. Não consigo entender esse tipo de projeto, assim como não consigo entender projeto que vai estabelecer cota para outra categoria que não tenha o sentido da discriminação”, declarou o deputado, que pediu vistas ao projeto.

A deputada Cantora Mara Lima, correligionária de Marchese no Republicanos e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na ALEP reafirma à Rede Lume seu apoio ao projeto de resolução 5/2022 e diz que “Infelizmente, ainda existem muitas barreiras impostas às mulheres na sociedade brasileira, por isso, a necessidade, permanente, de discussão e busca de melhorias sobre a inclusão da mulher em todos os setores da sociedade, ainda mais na política”.

Por meio de sua assessoria, Marchese respondeu à reportagem que as críticas à sua fala são “Diversionismo tolo de quem está bravo pelo discurso cobrando MP sobre investigações na Assembleia, assim como nossa oposição no PL da Assembleia que quer criar 121 cargos na instituição”.

Declarações em Plenário

A deputada Luciana Rafagnin (PT) ressaltou nesta quarta-feira que a fala do deputado contrário à criação da Bancada Feminina é uma forma de violência contra as mulheres. “Representamos mais de 50% da população, mas viemos de uma cultura patriarcal que nos oprime. Sofremos com a violência física, a psicológica, a patrimonial, a sexual. Consideramos muito grave todas elas, mas também consideramos muito mais grave a violência politica. A não permissão e o não entender a criação da Bancada Feminina também é uma violência contra as mulheres. É preciso, sim, mudar esse conceito machista e patriarcal que impede as mulheres de ocuparem cargos na politica ou na Mesa Diretora”.

Deputadas estaduais na sessão de hoje na ALEP. Foto: Orlando Kissner/ALEP

Para a deputada Cristina Silvestri (PSDB), que também é procuradora da Mulher na ALEP, o projeto pretende reparar uma demanda histórica da participação da mulher na política. “Temos 400 anos de atraso. O que estamos pedindo é a maior participação da mulher nas ações da Assembleia. Queremos ser protagonistas da nossa história. A mulher não está em pé de igualdade. O que precisamos é dessa igualdade. As mulheres não têm a mesma visibilidade, pois a política foi feita para os homens. É muito injusto não podermos participar da política de forma plena”.

A deputada Mabel Canto (PSDB) reafirmou a necessidade de contestar discursos contra as mulheres. “Encontrei companheiras nesta pauta que, unidas, temos avançado muito em relação ao direito das paranaenses, como a Procuradoria da Mulher da Assembleia. Não podemos concordar com falas assim. Ela desabona todo trabalho que temos feito de inclusão das mulheres. Todas nós já sofremos violência política. Por isso queremos garantir que outras mulheres tenham voz perante a Mesa da Assembleia”, disse.

A deputada Maria Victoria (PP) também ocupou a tribuna para defender a criação da Bancada Feminina. “É um projeto que assegura a participação feminina na Mesa Diretora desta Casa. Este é um projeto que inova, já que somos a primeira Assembleia Legislativa do País a criar uma bancada feminina. Teremos voz e vez, por isso pedimos o apoio de todos os parlamentares”, comentou.  

(Com informações da assessoria da ALEP)

Leia também:

Maio Furta-Cor debate saúde materna

Deixe uma resposta