Cesta básica se mantém acima dos R$ 600 em Londrina

Publicado por

Cesta básica de alimentos para uma pessoa custou R$ 612 em abril, após recorde histórico em março

Cecília França

Foto em destaque: Lucas Santos/Unsplash

O preço da cesta básica de alimentos em Londrina apresentou ligeiro recuo em abril, de 1,37%, após recorde histórico no mês de março, mas continua acima dos R$ 600. Segundo pesquisa do Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Nupea), o grupo de 13 alimentos básicos está custando R$ 612,25 para uma pessoa e R$ 1.836,76 para uma família de quatro pessoas. O levantamento de preços foi feito neste sábado, dia 30.

Dos 13 produtos pesquisados, seis registraram alta, cenário bastante diferente do ocorrido em março, quando todos os produtos tiveram alta. “Essa queda é consequencia natural da perda da capacidade de consumo das famílias, que as levou a reduzir o consumo obrigando os estabelecimentos a baixar os preços com risco de perda de vendas e mercadoria. Especialmente no caso da carne”, explica o economista Marcos Rambalducci, responsável pela pesquisa.

A maior queda foi no preço do tomate (-17,4%). Os outros hortifrutis constantes na cesta, porém, tiveram alta: batata (18,9%) e banana (15,7%). “Tomate, batata e banana respondem fundamentalmente a questões climáticas, e o que afeta um produto nem sempre afeta o outro, ou na mesma intensidade”, explica Rambalducci.

Também tiveram alta o leite (8,9%), a margarina (6,5%), o arroz (3,7%) e o pão (2,6%). Farinha (-0,3%) e açúcar (-0,8%) se mantiveram praticamente estáveis. Registraram queda café (-3,2%), óleo (-2,8%), carne (-2,3%) e feijão (-1,7%).

Previsão para os próximos meses

Para os próximos meses Rambalducci não vê possibilidade de grandes oscilações no preço da cesta básica diante de um cenário de recuo no poder de compra e de custo de produção elevado.

“Não imagino quedas muito significativas e tampouco altas tão expressivas como as que tivemos. Isso porque não há uma pressão de demanda sobre os preços e, sim, uma pressão de custos para o produtor. De um lado temos um consumidor que não consegue pagar o valor justo para o produtor. De outro lado um produtor que não consegue produzir sem repassar seus custos. Então não dá para imaginar que poderemos ter grandes oscilações”, detalha.

Na opinião dele, o processo eleitoral de outubro pode influenciar em novas altas inflacionárias dentro de alguns meses.

“Neste momento as eleições deixaram de estar tão em evidência porque ‘importamos’ situações mais impactantes na economia. Mas com a proximidade das eleições, mais para o final de julho e início de agosto, teremos sim um cenário de maior instabilidade que pode levar a uma fuga de capitais no país e, consequentemente, alta do dólar e impactos na inflação”, alerta.

Deixe uma resposta