UEL investiga autoria de inscrições racistas no campus

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Frases de ataque a pessoas negras e de apologia ao fascismo e nazismo foram encontradas em banheiro masculino do Centro de Ciências Exatas

Cecília França

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi alvo de um ato de racismo e apologia ao fascismo e nazismo identificado na última terça-feira (03). No banheiro masculino do Centro de Ciências Exatas (CCE) foram encontradas inscrições como “Não as cotas”, “Heil Hitler and Mussolini”, “Fascismo vive”, entre outras agressões a pessoas negras. As frases foram fotografadas e expostas nas redes sociais. Hoje, a coordenadoria de comunicação da UEL informou que a autoria das inscrições está sendo investigada (leia abaixo).

Ontem (5), parte da comunidade universitária e representantes de programas, projetos, comissões, órgãos, entre outros, divulgaram nota de repúdio sobre o ocorrido, lembrando que tanto o racismo quanto a apologia ao nazismo/fascismo são crimes no Brasil.

“Além de as frases serem racistas e de defesa do fascismo/nazismo, atacam a política de cotas e a existência das pessoas negras que integram a comunidade universitária, pois impetram a defesa de que pessoas negras devem morrer, influenciando o adoecimento psicológico dessa população”, ressalta a nota.

Os signatários cobram ações da universidade no combate ao racismo. “Esse ato reforça a necessidade de a universidade investir em políticas de combate ao racismo, de modo a dar uma resposta robusta à onda crescente de grupos neonazistas, conservadores, reacionários que atacam os direitos humanos e a democracia.”

Leia a nota na íntegra:

Sanções internas e penais para autores

A Coordenadoria de Comunicação Social da UEL emitiu nota em que “rechaça qualquer atitude de conteúdo racista e destaca que todos os esforços serão empreendidos para que práticas racistas não voltem a ocorrer no ambiente universitário.” Tanto a Prefeitura do Campus quanto a Ouvidoria da UEL foram informadas sobre a existência dos escritos e processos internos de averiguação foram instaurados, com análise de imagens das câmeras de segurança.

Identificados os autores, a UEL salienta que este ou estes estão sujeitos a sanções internas e penais. “(…) os mesmos ficam sujeitos ao rigor do Estatuto da UEL e da Legislação Estadual a partir da instauração de sindicância, seguida de Processo Administrativo Disciplinar, inobstante eventuais ações civis e criminais a serem propostas, considerando que discriminação e preconceito de raça e cor constituem crime conforme previsão no Código Penal e na Constituição Brasileira.”

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