Ato lembra 5 anos da morte de Gabriel Sartori

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Policial que atirou no adolescente foi inocentado em júri realizado em fevereiro; família já buscou a Justiça para contestar a decisão

Mariana Guerin

Acontece hoje, a partir das 18 horas, em frente ao Colégio Estadual Professora Maria José Balzanello Aguilera, no Conjunto Cafezal, a manifestação “5 anos sem Gabriel”, que marca os cinco anos da morte do adolescente Gabriel Sartori. O ato é organizado pela família do jovem, morto aos 17 anos pelo policial militar Bruno Carnelos Zangirolami, em junho de 2017.

Em um julgamento realizado em 21 de fevereiro deste ano, que durou cerca de 12 horas, o policial foi absolvido pelos jurados, que reconheceram a materialidade e a autoria do crime, mas decidiram, por maioria de votos, que ele agiu em legítima defesa. Leia mais aqui.

No dia seguinte ao julgamento, a família de Gabriel entrou com recurso na Justiça, contestando a decisão. Segundo Cristiane Sartori, mãe do adolescente, a família tem esperanças de reverter o resultado do júri, “apesar de saber que nossa justiça é péssima”.

Na época do julgamento, em entrevista à Lume, Cristiane declarou estar decepcionada com a Justiça. “Estou arrasada e decepcionada. Não consigo entender essa justiça. Tantos anos de luta, era tão claro esse assassinato e o cara sair de bonzinho, de defesa? Nem sei muito o que falar…”, lamentou, após ouvir a sentença.

Para ela, as manifestações ajudam a conscientizar sobre a violência policial e a impunidade, mas ela acredita que muitas pessoas ainda têm receio de abraçar a causa por se tratar da participação de um policial militar no crime.

“Ainda não temos resposta da Justiça quanto ao recurso, que deve ir à Curitiba primeiro antes de retornar a Londrina”, informa Cristiane, que vê no ato desta quarta uma chance “de sermos ouvidos para que haja mais agilidade no processo”.

Ela costuma realizar manifestações com apoio de outros movimentos locais, como o Movimento Autônomo Popular, no dia do aniversário de Gabriel e na data em que ele morreu, “que é o dia mais marcante”.

“Não importa como, a luta contra esta violência não pode parar, apesar de ser uma instituição difícil de lutar. Mas se nos calarmos, só tem a piorar”, diz Cristiane.

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