Cesta básica recua diante da queda no poder de compra do trabalhador

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Após atingir recordes históricos em Londrina, cesta tem queda em junho, puxada pela batata e o tomate; já o leite sobe quase 30%

Cecília França

Foto em destaque: Cecília França

O preço da cesta básica recuou 6,6% em junho em Londrina. O grupo de 13 alimentos pesquisado pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Nupea) custou R$ 570,06 para uma pessoa e R$ 1.710,19 para uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças). Desde fevereiro a cesta não custava menos de R$ 600 na cidade e a tendência é de manutenção ou outras baixas nos próximos 60 dias. Isto porque o poder de compra do trabalhador caiu e deve permanecer estagnado.

Sem demanda não há espaço para novas altas, explica o economista responsável pela pesquisa, Marcos Rambalducci. “O poder de compra do assalariado já está definido. Se tiver novos aumentos ele é obrigado a diminuir ainda mais seu consumo. Uma diminuição no consumo significa que se os preços não caírem o produto vai ficar na prateleira”, explica.

Puxaram a queda neste mês a batata (-43%) e o tomate (-41,2%). Já o aumento mais expressivo foi o do leite, 29,6%. A carne, produto que mais pesa na cesta, se mantém estável diante da baixa demanda (a carne pesquisada é o coxão mole bovino).

Fonte: Nupea

Confira entrevista com o economista sobre o cenário atual e as perspectivas para os próximos meses.

A cesta básica apresentou a primeira queda expressiva do ano, saindo do patamar dos R$ 600. Batata e tomate puxaram a queda. Atribuímos a questões climáticas esse comportamento?

Exato. A entrada das novas safras e o clima permitindo tanto a colheita quanto o transporte do campo para as gôndolas ajuda a entender essa queda nos preços destes produtos.

Quanto ao leite, a que se deve essa alta tão expressiva, de quase 30%?

Esta sazonalidade é uma característica deste produto. O frio mais intenso reduz a produtividade e os custos mais elevados para manter a alimentação do gado em confinamento fazem com que os preços da produção fiquem mais elevados e essa alta é transferida para o produto na prateleira.

Podemos atribuir a estabilidade da carne (variação de -0,9%) à falta de demanda?

Sem dúvida que a migração do consumo para outras proteinas levou à estabilização do seu preço.

É possível fazer alguma previsão para os meses seguintes?

Existe sim uma tendência de manutenção e até redução destes preços para os próximos 60 dias, isso porque não há muito espaço para mais altas no preço do leite e não se espera uma variação climática que possa trazer uma alta nestes produtos específicos, lembrando que hortaliças deverão, sim, sofrer elevação de preços, pois projeta-se um frio mais intenso este ano, mas elas não são contempladas na lista de produtos da cesta. O feijão também deverá apresentar elevação, pois houve diminuição da área plantada, o que pode levar a uma menor oferta do produto. Também o trigo e seus derivados tenderão a um aumento, mas não há muito espaço para subidas muito grandes. A carne por sua vez, tende a se estabilizar, mesmo que estejamos entrando no periodo de entressafra.

Pode explorar mais a questão do “não há espaço para subidas muito grandes”? O que significa?

O poder de compra do assalariado ja está definido. Se tiver novos aumentos ele é obrigado a diminuir ainda mais seu consumo. Uma diminuição no consumo significa que se os preços não caírem o produto vai ficar na prateleira. Em uma situação dessas não sobra “espaço” para aumentar o preço do produto. Se aumentar não vende. Simplesmente porque o consumidor não tem dinheiro para efetuar a compra.

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