Eli Vive inaugura agroindústria de derivados de milho livre de transgênico em Lerroville

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Agroindústria coordenada pela Copacon, localizada no assentamento, terá capacidade de beneficiamento de 24 toneladas de grãos por dia e envolve 13 municípios da região de Londrina

Da Redação

Foto em destaque: Fábio Herdt/ MST-PR

Na próxima sexta-feira (15), será inaugurada a agroindústria de derivados de milho livre de transgênicos da Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização Conquista (Copacon), localizada no Assentamento Eli Vive I, no distrito de Lerroville, em Londrina.

A agroindústria irá beneficiar até 24 toneladas do grão por dia. A expectativa é produzir 1 milhão de toneladas de derivados de milho não transgênicos e agroecológicos por ano na unidade.

A estrutura atual já garante a comercialização de fubá, farinha de milho biju, canjica amarela e canjiquinha xerém. Os resíduos do milho beneficiado serão transformados em ração para bovinos e suínos.

Segundo o presidente da Copacon, Fábio Herdt, o objetivo da cooperativa é ampliar a diversidade de produtos beneficiados nos próximos cinco anos, também com a produção de quirerinha, canjica branca e flocão.

“A expectativa é que a gente tenha todos esses produtos que, além de muito gostosos, sejam agroecológicos, com capacidade de venda e com preço justo e de fácil acesso para toda população”, prevê Herdt, que é assentado na comunidade.

A conquista da agroindústria chega cinco anos após o início do projeto e marca mais um passo na estruturação econômica da comunidade, de forma cooperada.

Para comemorar a inauguração, haverá um almoço gratuito com cardápio preparado com os produtos beneficiados pela Copacon, como polenta com frango e quirerinha com carne de porco.

A programação também inclui festa julina, apresentação de moda de viola, fogueira, comidas típicas e baile.

As estruturas da agroindústria tiveram investimento de cerca de R$ 5 milhões – a maior parte vindos de recursos próprios e do Programa de Financiamento Popular da Agricultura Familiar para Produção de Alimentos Saudáveis (Finapop), e cerca de R$ 600 mil do governo do Estado.

Eli Vive: avanço da produção de alimentos e geração de renda

Criado em 2009, o assentamento Eli Vive é formado por 501 famílias e cerca de 3 mil moradores. É a maior área de Reforma Agrária em região metropolitana do Brasil, com 7,5 mil hectares.

Desde o início da comunidade, as famílias do Assentamento Eli Vive produzem para o autossustento e para a comercialização. Entre as linhas de produção se destacam: leite, hortaliças, café, panificação, frutíferas e grãos, principalmente milho.

Parte dos lotes já conquistaram certificação de produção orgânica e agroecológica, projeto em crescimento na comunidade.

Foto: Juliana Barbosa/MST-PR: Davi José da Costa é um dos produtores de milho orgânico que fazem parte da Copacon

A Copacon foi criada pelas famílias assentadas para otimizar a produção e a comercialização dos alimentos. Atualmente, cerca de 360 estão associadas à cooperativa, de 13 municípios diferentes.

Além da renda gerada para os produtores (as), mais de 20 trabalhadores (as), todos(as) assentados e filhos de assentados (as), são funcionários da cooperativa.

Na última safra, a cooperativa comercializou 15 mil sacas de milho, 10 mil de soja e 10 mil de feijão preto e carioquinha. Outras 15 toneladas de alimentos são entregues na Central de Abastecimento (Ceasa) toda semana, além da comercialização de 80 mil litros de leite por mês.

Os alimentos da comunidade também abastecem as escolas públicas da região. São entregues 10 toneladas por semana de alimentos por semana ao Programa de Alimentação Escolar (PNAE), chegando a mais de 100 escolas de Londrina e região. Uma padaria comunitária, coordenada por mulheres assentadas, também produz panificados para a alimentação escolar.

Mais de 400 crianças e adolescentes estudam em duas escolas municipais e uma estadual do assentamento. A comunidade também tem um mercado e uma agropecuária na sede da comunidade, além de uma Associação de Mulheres e times de futebol feminino e masculino. O coletivo de saúde garante a implantação de hortas medicinais em cada lote.

As famílias se preocupam com a preservação e reflorestamento da área e são guardiãs de mais de 100 minas d’água. Já foram plantadas mais de 10 mil árvores frutíferas, e ainda este ano, cerca de 40 mil mudas serão plantadas como parte do Plano Nacional Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis.

Cooperação em áreas da Reforma Agrária

A cooperação entre as famílias assentadas e acampadas e o beneficiamento dos alimentos in natura são a combinação que garante ampliação da geração de renda e de postos de trabalho no campo.

A agroindústria da Copacon é uma das 60 criadas em áreas da Reforma Agrária no Paraná, entre laticínios, padarias e agroindústrias de beneficiamento. Elas estão ligadas a 24 cooperativas da Reforma Agrária, formadas por 7 mil famílias espalhadas por 200 municípios de todo o estado.

Ao todo, mais de 50 produtos são industrializados em áreas da Reforma Agrária, entre café, hortifruti, erva mate, mel, suco, milho e grãos em geral, e derivados de leite e da cana-de-açúcar.

Além da venda ao mercado convencional, em feiras e com venda direta ao consumidor, a produção chega também ao PNAE. Atualmente, as cooperativas e associações da Rede de Reforma Agrária são responsáveis pela execução de 22 dos recursos destinados à compra de merenda escolar da Agricultura Familiar pelo estado.

Ao todo, os alimentos da Reforma Agrária chegam a mais de mil escolas estaduais, garantindo refeições saudáveis a cerca de um milhão alunos da rede pública. Alimentos como feijão e arroz chegam a quase todas as escolas do Paraná.

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