Ato no Calçadão conscientiza sobre o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio nesta sexta

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Só nos seis primeiros meses de 2022, mais de 4 mil atendimentos foram realizados a mulheres vítimas de violência em Londrina

Da Redação

Foto: Divulgação

Para marcar o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de Londrina (SMPM), o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (CMDM) e o Neias- Observatório de Feminicídios Londrina realizam uma mobilização nesta sexta-feira (22), em frente o Cine Teatro Ouro Verde, no Calçadão de Londrina, das 10h às 14h.

Durante o ato, representantes da rede de proteção e de enfrentamento à violência contra as mulheres do município irão esclarecer dúvidas e informar a população sobre violência doméstica e familiar e sobre feminicídio. Esta será a primeira mobilização presencial da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica no período pós-pandemia.

Segundo a secretária municipal de Políticas para as Mulheres em exercício, Rosangela Portella Teruel, a intenção é mostrar os canais de denúncia e informar às mulheres as formas de violência, além dos serviços especializados existentes em Londrina, como o CAM, a Casa Abrigo, a Delegacia da Mulher, e a Vara e a Patrulha Maria da Penha.

“É fundamental que as mulheres saibam reconhecer se estão vivenciando uma situação de violência, para buscarem ajuda e conseguirem romper o ciclo violento. Isso porque as violências acontecem de forma gradativa, se intensificam em cada situação vivenciada, e podem chegar até a sua forma mais grave, que é o feminicídio.”

Para a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), Sueli Galhardi, a ação preventiva e educativa é importante porque dá visibilidade ao assunto: “Essa parceria da Secretaria da Mulher com o Conselho e a Rede de Enfrentamento é fundamental, porque mostra que existem serviços integrados dialogando para o fortalecimento dos direitos das mulheres. A informação realmente pode salvar vidas”.

Observatório quer resgatar memória de mulheres vítimas de violência

No Brasil, o feminicídio é considerado um crime hediondo e acarreta penas mais severas, de acordo com o Código Penal Brasileiro. De acordo com o Anuário Brasileiro da Segurança Pública 2021, no ano passado ocorreram 1.341 feminicídios no País, uma leve queda em relação ao ano anterior, quando 1.354 mulheres foram mortas. No Paraná, ao contrário, houve aumento, de 73 casos para 75, de 2020 para 2021.

Em Londrina, somente no primeiro semestre deste ano, 224 mulheres foram atendidas pelo setor de acolhida do CAM e outras 154 pelo setor de busca ativa, que vai até as vítimas informadas pela rede de serviços de saúde, assistência social e outras.

Ao todo, no CAM, 4.140 atendimentos foram realizados nos seis primeiros meses deste ano, entre orientação jurídica, atendimento psicológico e de serviço social. Entre essas vítimas, a Casa Abrigo Canto de Dália acolheu 76 pessoas, sendo 29 mulheres que sofreram tentativas de feminicídio ou grave ameaça e 47 seus filhos menores de 18 anos.

Segundo a jornalista Cecília França, representante do Observatório, conforme levantamento realizado pelo observatório no ano passado, dos casos julgados em 2021, todos eles ocorreram quando a mulher pôs fim ou tentou pôr fim ao relacionamento.

“Quando ela se encoraja e resolve se libertar daquilo, ela acaba sendo vítima. Então, é importante buscar medidas protetivas. Vão ser 100% eficientes? Não cremos, porque há casos em que a mulher tem essa medida e ela é violada pelo agressor.”

“Mas é uma forma de você estar sendo monitorada pelo sistema, de o sistema protetivo conhecer você, saber do seu caso e ao menor sinal de risco, você poder ser atendida”, completou Cecília.

Para ela, a mobilização desta sexta é importante para conscientizar a população e mostrar que a violência contra a mulher está acontecendo em Londrina e no Paraná com uma frequência “absurda”.

“Nós temos um objetivo de gravar na memória das pessoas quem são essas mulheres. Nós temos esse papel, como observatório, de resgatar a memória das mulheres que foram vítimas e inscrevê-las na história do município.“

Semana de conscientização sobre os direitos das mulheres vai até 29 de julho

Além do ato no Calçadão, a secretaria vai veicular nas suas redes sociais vídeos explicativos sobre feminicídio. Eles fazem parte do projeto Secretaria da Mulher Informa e estarão disponíveis nos perfis da pasta no Instagram e Facebook.

Outra atividade será o Fórum Regional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, promovido pelo escritório regional da Secretaria Estadual da Justiça, Família e Trabalho (Sejuf) em parceria com a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres.

O fórum começou na quarta-feira (20), na sede do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná). Os encontros serão mensais e devem ocorrer até novembro. São destinados aos profissionais da rede de enfrentamento à violência de municípios integrantes da regional.

Nesta quinta-feira (21), as servidoras do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM) participaram de uma roda de conversa com a comunidade atendida pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), por meio do Centro de Referência da Assistência Social Centro A (CRAS). Elas abordaram diversos temas, entre eles, o combate ao feminicídio.

Dia Estadual de Combate ao Feminicídio

O Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, 22 de julho, tem por objetivo conscientizar a população sobre a importância do combate a todos os tipos de violência, como a agressão física, psicológica, moral, patrimonial e sexual. Ele foi instituído no Paraná em memória ao feminicídio da advogada Tatiana Spitzner, ocorrido em Guarapuava, em 2018.

Como denunciar a violência

As mulheres em situação de violência doméstica e familiar podem entrar em contato diretamente com o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM), pelo telefone (43) 3378-0132. Também é possível comparecer ao endereço na Avenida Santos Dumont, 408, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, sem necessidade de agendamento prévio.

Também estão à disposição outros serviços, como a Delegacia da Mulher, pelo número (43) 3322-1633, que atende por telefone e por WhatsApp;  o Plantão da Delegacia da Polícia Civil, no (43) 3378-3000 (funciona 24 horas por dia); a Central de Atendimento à Mulher 24 horas pelo Disque 180; a Polícia Militar no Disque 190; e a Patrulha Maria da Penha. pelo 153. A lista completa dos telefones pode ser acessada aqui.

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