Londrina pode ganhar Dia Municipal de Tereza de Benguela

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Iniciativa da vereadora Lu Oliveira busca instituir a data no calendário do município em homenagem às mulheres negras

Cecília França

Imagem em destaque: Wikimedia Commons

Durante o 1º Prêmio Tereza de Benguela, realizado no último sábado (30), em Londrina, pelo Coletivo Black Divas, a vereadora Lu Oliveira (PL) apresentou dois projetos de lei de sua autoria que visam beneficiar a comunidade negra local. Um deles institui no calendário do município o Dia Municipal da Tereza de Benguela e da Mulher Negra, a ser comemorado em 25 de julho.

Pelo projeto, que ainda será apreciado pelas comissões e votado pela Câmara de Vereadores, a data tem a finalidade de ampliar o conhecimento sobre o tema e potencializar atividades e ações que englobem o tema da mulher negra no município. Na justificativa, a vereadora enfatiza:

A história do nosso País é completamente submersa pela história do africano e negro escravizado no Brasil (…) Falar sobre esse tema é uma forma de reconhecer toda essa hsitória e cultura vivida, e que durante muitas anos foi fortalecida e resguardada por mulheres negras desta região e de diversos locais do nosso país.

No evento de sábado, Lu Oliveira também apresentou projeto que declara de utilidade pública o Coletivo Black Divas, fundado em 2003. “É algo muito importante. O título significa, claramente falando, sem muita técnica política, que a partir de agora o coletivo pode conseguir recursos para continuar ajudando. Recursos de empresas locais, do governo federal”, explicou a vereadora. 

A vereadora Lu Oliveira com Sandra Aguilera (ao microfone) e parte das mulheres homenageadas/Cecília França

O projeto também precisa ser avaliado pelas comissões pertinentes e votado pela Câmara. A partir da sanção pelo prefeito, que a vereadora acredita que ocorrerá, a ideia é buscar apoio para a conquista de um título de utilidade pública federal, que amplia ainda mais as possibilidades de financiamento para a organização.

Para a coordenadora geral do coletivo, Sandra Mara Aguilera, a declaração de utlidade pública e o reconhecimento com um data específica impulsionam o trabalho do coletivo junto à comunidade.

“Vocês não sabem o que passamos nos bastidores até chegarmos nas comunidades. Ultimamente a gente tem levado para o nosso povo cesta básica. Queremos que nosso povo trabalhe e tenha dignidade de chegar ao mercado e que faça sua compra. Acredito que essa é uma das ações que nos fará chegar a esse objetivo. Nós mulheres negras precisamos caminhar e continuar juntas. Estamos cansadas de ver mulheres negras lutando na contra mão das pautas e demandas que nos cercam, nos oprimem. Essas ações e demandas que pautamos são para todas, e precisamos da construção do fortalecimento e só juntas conseguiremos, porque lá fora, quando a porta da luta se abre, tem muita gente batendo na mulher negra em todos os aspectos em nosso país”, afirma.

“Somos a base da pirâmide, o maior índice de violência e contra nós mulheres negras e o maior porcentagem de feminicídio. Aa resistência é necessária em todos os aspectos inclusive para sermos respeitadas como negras. Há uma necessidade gritante para que ocupemos lugares de direito e de poder, e mesmo tendo formação ainda continuamos com salários inferiores e esse dados são comprovados”.

Sandra relembra como o racismo permeia a trajetória de mulheres negras e celebra as conquistas do Black Divas, criado em 2003. Uma das metas é ocupar espaços decisórios e de poder, o que o coletivo tem feito com a participação em conselhos municipais, como o dos direitos das mulheres, com o acesso à universidade, e a conquista de financiamentos como o Elas Periféricas, da Fundação Tide Setubal.

“Temos trabalhado nos últimos três anos em parceria com a Coalizão Negra por Direitos e a cada formação a necessidade de avançar. Se faz necessário urgentemente trabalharmos o voto antirracista e isso é dar continuidade a um processo longo, histórico, e político do movimento negro. Espero que em dois anos tenhamos uma bancada de vereadoras negras em nossa cidade. É preciso quebrar paradigmas, que essa bancada não compactue com a falta de oportunidades de trabalho para nossa etnia, que não permitam que a criança negra esteja fora dos bancos escolares, que a saúde da população negra seja contemplada em sua especificidade, que não haja mais falta de água, com a falta de luz e tantas outras necessidades nas ocupações, comunidades onde somos maioria.”, finaliza.

A história inspiradora de Tereza de Benguela

O dia 25 de julho foi decretado em 2014 como Dia de Tereza de Benguela e da Mulher Negra pela presidente Dilma Rousseff, para celebrar a vida e a luta de Tereza, que foi reconhecida como rainha ao liderar o Quilombo de Quariterê, no atual estado de Mato Grosso, por mais de duas décadas. A rainha utilizava um sistema parlamentar, que se reunia semanalmente para tomar as decisões sobre o local, e ainda desenvolvia agricultura de algodão e fabricava tecidos comercializados fora do quilombo.

O Quilombo foi destruído em junho de 1770 pelas forças de Luís Pinto de Sousa Coutinho, mas a luta e a liderança de Tereza reluzem até hoje como exemplo da força e da importância da mulher negra na história do Brasil – e no combate ao racismo e a escravidão no mundo. (Fonte: Geledés)

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