Quinta queda consecutiva no grupo de alimentos compensa parte da inflação recorde registrada em 2022; entenda

Cecília França

Foto em destaque: Unsplash

A cesta básica em Londrina registrou a quinta queda consecutiva, de 2,4%, no mês de agosto, chegando a R$ 547,55 para uma pessoa e R$ 1.642,66 para uma família de quatro pessoas. As quedas compensaram parte do boom na inflação dos alimentos observado em 2022, mas o valor da cesta ainda se mantém 8,2% acima do praticado em 1 de janeiro, quando custava R$ 537,49. Os dados são da pesquisa mensal do Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Nupea).

A inflação dos alimentos, e consequentemente da cesta básica em Londrina, que inclui 13 produtos, alcançou índices históricos este ano. Para se ter uma ideia, a cesta chegou a custar R$ 620 em março. De lá para cá vem tendo quedas, mas se mantém em níveis altos (leia mais sobre essa movimentação abaixo).

Em agosto, dos 13 produtos pesquisados, 10 tiveram queda, incluindo o leite (-20,2%). Os demais são batata (-26,2%), óleo (-10%), tomate (-8,4%), arroz (-7,3%), banana (-7,2%), margarina (-3,8%), açúcar (-3,2%), feijão (-1,4%) e café (-1,2%). O pão francês ficou estável e carne e farinha tiveram aumento de 4,9% e 9,5%, respectivamente.

O economista responsável pela pesquisa, Marcos Rambalducci, explica as movimentações.

“Um dos produtos que protagonizaram a alta no valor da cesta básica nos últimos meses foi o leite, em função dos aumentos em seus custos de produção (ração cara e pastagens ressequidas) e queda na oferta em função da entressafra. Com a normalização do regime de chuvas e a pastagem se recuperando há uma tendência natural para aumento da oferta e redução nos custos, o que pôde ser verificado já neste mês e com possibilidades de novas reduções ao longo dos próximos meses”.

“No caso da carne, era esperado pelo menos a manutenção de seu preço para o mês de agosto. No entanto, a exportação de carne bovina brasileira segue renovando as máximas, pressionando o preço no mercado interno”.

Fonte: Nupea

Impacto dos combustíves

Se o alto preço dos combustíveis vinha impactando negativamente na inflação da cesta nos meses passados, as quedas recentes contribuem para diminuir o preço geral dos alimentos.

“Os preços dos alimentos, especialmente os ‘in natura’, têm um forte componente de custos atrelado ao transporte. Isso porque são produtos pesados e volumosos, mas de baixo valor. Uma redução no preço do diesel tem impacto direto na formação de seus custos”, explica Rambalducci.

Reduções compensam parte da inflação

As cinco quedas sucessivas no preço da cesta básica compensam, em parte, o índice acumulado no primeiro de trimestre do ano, quando a cesta apresentou elevação de 22,6%.

“Isso significa que, a despeito das reduções constantes no preço médio da cesta básica, ela ainda está 8,2% acima do praticado no dia 01/01/2022”, lembra Rambalducci. “Espera-se que com a supersafra sendo colhida neste ano, a entrada no ciclo de chuvas e a menor pressão do mercado internacional, em função da retração da economia global, possamos manter esta trajetória de queda no preço dos alimentos”, estima.

Valores coletados pela pesquisa do Nupea em agosto

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