Paulo Ricardo Aparecido da Silva e Caio Dias Melo foram mortos em uma ação da PM na Rua Nelson Rodrigues, no Conjunto Vivi Xavier, na Zona Norte, no dia 22 de junho de 2022.

Paulo faria 33 anos no próximo dia 13. Segundo a mulher Kawana Cristina Bernardino, o marido foi morto junto com o cunhado em frente à casa da irmã dela. “Os dois estavam foragidos e viviam sofrendo ameaças de dois policiais que nunca os prendiam”, conta.

Ela alega que a polícia atentou contra a vida do marido duas vezes antes de conseguir matá-lo. “Na primeira vez seguiram o Paulo na BR-369. Ele estava com nosso filho de dois anos. Quando percebeu que os policiais iam atirar fugiu pela janela do carro e se escondeu numa mata.”

Com o celular de Paulo que ficou no carro, a polícia ligou para Kawana que foi até o local buscar o filho. “Assim que a polícia foi embora, Paulo apareceu todo machucado. Ele disse que só não foi morto porque se jogou pela janela.”

Noutra situação, policiais teriam fechado o carro onde estava Paulo, Caio e a irmã de Kawana. “O Caio pediu para minha irmã descer primeiro com as mãos na cabeça. Ela abriu a porta do carro e os meninos ficaram lá dentro também com as mãos na cabeça. Os policiais entraram na viatura e foram embora”, conta.

A MORTE

Segundo informações do boletim de ocorrência, os dois tinham mandado de prisão em aberto. Um mês depois da abordagem anterior, eles estavam em um automóvel Jetta preto quando foram abordados pela Rotam, em frente à casa de Paulo.

De acordo com as informações da PM, eles portavam duas armas de fogo, teriam reagido e acabaram mortos.

A família tem outra versão. “Eles pararam o carro em frente da casa da minha irmã e a polícia parou logo atrás e chegou atirando”, conta Kawana.

Conforme ela, os rapazes teriam tentado sair do carro, mas foram alvejados por vários disparos. “Eles viram que meu marido ainda estava respirando e deram mais tiros nele, na frente da minha irmã.”.

“Minha irmã viu tudo. Ela pediu para eles deixarem eles vivos, mas eles gritavam ‘vagabundo a gente mata, vamos mandar todo mundo pro saco, desde o menor até o mais velho’.”

“Por que fazer isso se tem a cadeia para a gente visitar? Imagina o que seria do meu filho se ele visse o pai dele sendo morto na frente dele?”, questiona.

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