Dados do Gaeco mostram que, em 2022, foram 488 óbitos no Estado, sendo 50 em Londrina

Nelson Bortolin

Foto em destaque: Divulgação/PM

As mortes em decorrência de intervenções policiais tiveram novo aumento no Paraná em 2022. Foram 488, ou 17% a mais, na comparação com o ano anterior. Já em Londrina, isoladamente, o crescimento foi muito maior – de 56%. Foram registrados 50 casos em 2022 contra 32 em 2021. Trata-se do segundo ano com maior letalidade policial na cidade desde 2015. Em 2020, foram 58. Os dados são do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), unidade do Ministério Público do Paraná.

A letalidade policial será o tema de um debate que a Rede Lume e a Rádio UEL FM promovem no dia 15 de março, às 19 horas, com transmissão ao vivo pelo Youtube da emissora. Saiba mais.

Também chama a atenção no levantamento divulgado hoje pelo Gaeco o número de mortes em Cambé, região metropolitana de Londrina. Foram 15 contra 5 no ano anterior. Em Ibiporã, a polícia matou três pessoas no ano passado, menos que em 2021, quando houve oito óbitos pelas forças de segurança.

A soma das três cidades (Londrina, Cambé e Ibiporã) foi de 68 mortes em decorrência de atuação policial em 2022, contra 45 no ano anterior, ou seja, um aumento de 51%, também acima da média estadual. A região de Londrina tem a maior taxa de letalidade policial do Estado, como mostrou levantamento da Lume.

Segundo nota distribuída pelo Gaeco, o controle estatístico das mortes em supostos confrontos policiais faz parte de estratégia institucional de atuação do Ministério Público “com o objetivo de contribuir para a diminuição da violência das abordagens conduzidas pela polícia.”

“O Ministério Público do Paraná, a exemplo dos demais MPs do Brasil, aderiu ao programa nacional ‘O MP no enfrentamento à morte decorrente de intervenção policial’, instituído pelo Conselho Nacional do Ministério Público, por meio da Comissão do Sistema Prisional, Controle Externo da Atividade Policial e Segurança”, diz a nota do Gaeco.

Segundo o órgão, a iniciativa do CNMP tem como objetivo “assegurar a correta apuração das mortes de civis em confrontos com policiais e guardas municipais, garantindo que toda ação do Estado que resulte em morte seja investigada”.

Perfil das mortes pela polícia

Entre os mortos pelas forças de segurança no Paraná, no ano passado, 247 vítimas eram pardas (51%), 33 negras (7%) e 203 brancas (42%). Em relação à faixa etária, 287 vítimas em confrontos com policiais militares tinham entre 18 e 29 anos (59,42%) ; 166 tinham idade entre 30 e 59 anos (34,37%) e 30 tinham entre 13 e 17 anos (6,21%).

Em 2022, o Movimento “Justiça por Almas – Mães de Luto em Luta” realizou protestos contra as mortes de jovens pela polícia em Londrina. Familiares dos falecidos e demais integrantes do coletivo distribuíram panfletos para a população e realizaram rodas de conversa para alertar a sociedade sobre este tema.

Leia também:

‘Paraná não tem projeto para frear mortes pela polícia’

Mortes em confrontos com policiais crescem quase 10% no Paraná

A Lume faz jornalismo independente em Londrina e precisa do seu apoio. Curta, compartilhe nosso conteúdo e, quando sobrar uma graninha, fortaleça nossa caminhada pelo PIX (Chave CNPJ: 31.330.750/0001-55). Se preferir contribuir com um valor mensal, participe da nossa campanha no Apoia-se https://apoia.se/lume-se.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: