No texto anterior escrevi sobre a importância de todos sermos inclusivos.  Promover a inserção de pessoas com deficiência nas mais diversas áreas e âmbitos da sociedade. 

Fato é que, nos últimos anos, como pessoa com deficiência, eu percebo que há um esforço de alguns indivíduos em setores para alcançar esse patamar. 

Do ponto de vista empresarial, até acho que existam ressalvas. Por exemplo, o mercado pode ter enxergado nas pessoas com deficiência potenciais consumidores.

Tem também a questão legal, a lei de inclusão, em vigor desde o governo Dilma, sancionada em 2015, aquela que obriga as empresas a partir de 100 funcionários a contratar um percentual do seu quadro comprovadamente com algum tipo de deficiência.

No entanto, é inegável que os últimos anos estão melhores, embora distantes do ideal. 

Diante da necessidade de sermos inclusivos e das demandas mercadológicas, chegamos a outro ponto crucial e é dele que quero tratar aqui.

Ser uma pessoa inclusiva não é apenas conviver com alguém com deficiência no mercado de trabalho ou fazer o “papel de bom moço”, enchendo a sua equipe de PCDs. Ser inclusivo é um trabalho árduo que envolve palavra e ação. 

Para pensar sobre como você, caro leitor, age, gostaria de fazer um convite. Já presenciou situações em que você ou alguém no trabalho, para enaltecer os feitos de alguém com deficiência, disse algo do tipo: “até ele (ou ela) consegue apesar da deficiência” ou “para mim é como você não tivesse deficiência” ou pior, “para mim você é normal”. 

Todas essas e outras falas, embora carregadas de boas intenções, são, na verdade, preconceito, destilado de maneira sutil, e não refletem a ideia de ser inclusivo. 

Um profissional sem deficiência pode não conseguir realizar certas tarefas e ninguém vai sentencia-lo com frases capacitistas.

Um profissional com deficiência não quer ser visto como alguém que não a tenha, ele quer ser respeitado pelo que é capaz de produzir, independente da sua condição. E todos tempos algum tipo de limitação, o que pode ou não definir o tal normal? 

Acredito no texto de hoje como um complemento do texto anteriormente publicado nesta mesma coluna e acredito nele também como um convite à reflexão: 

A sua palavra reflete o quão inclusivo você deseja ser? A verdadeira inclusão só acontecerá quando for promovida em palavra e ação. 

*Vinícius Fonseca é pessoa com deficiência, jornalista, tecnólogo em gestão de Recursos Humanos com especialização em assessoria em Comunicação e M.B.A. em Gestão de pessoas. Também é escritor de poesias e contos, além de um eterno curioso.

Leia também:

Ser inclusivo é papel de todos!

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