Uma casa de culto de religiões de matriz africana na CIC foi vandalizada e outra, em Piraquara, recebeu “chuva de pedras

Cecília França

Imagens: Divulgação

Duas casas de cultos de religiões de matriz africana foram alvo de atentados na última sexta-feira (19) na grande Curitiba. Um dos ataques foi contra a Casa Espiritual Sete Caminhos de Luz, na Cidade Industrial (CIC); o outro atingiu a Casa Terreiro de Umbanda Tia Maria, em Piraquara.

O Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana (FPRMA) acompanha as denúncias e emitiu nota de repúdio nesta segunda-feira. “Nossos atabaques não podem ser silenciados! É preciso um basta a todas estas formas de agressão, de intolerância, de racismo e de preconceito!”, diz o trecho final da nota.

O coordenador geral do Fórum, Dr. h. c. Bàbá Flávio Maciel, visitou hoje os dois locais atingidos. Para ele, tratam-se de casos claros de racismo religioso.

“De manhã acompanhei o caso de Piraquara. Lá teve a ‘chuva de pedras’, que foi na sexta-feira durante a ritualística. A chuva de pedras chegou a invadir o espaço onde estavam rezando, fazendo a ritualística. Felizmente as pedras não machucaram ninguém gravemente”, detalha.

“O outro caso foi no Terreiro Sete Caminhos de Luz, no bairro CIC. Esse terreiro foi invadido na madrugada de sexta para sábado e todos os objetos sagrados foram atacados, destruídos. São dois ataques gravíssimos à religião, à liberdade religiosa. Casos de racismo religioso mesmo”, conclui.

Um vídeo mostra os estragos na Casa Espiritual Sete Caminhos, de Pai Wilson e Mãe Alessandra.

Abaixo, fotos das pedras jogadas contra a Casa Terreiro de Umbanda Tia Maria, de Mãe Adriana.

A reportagem pediu informações à Polícia Civil sobre as investigações acerca dos ataques. De acordo com a assessoria, o atentado ocorrido em Piraquara está sendo investigado. “A PCPR está investigando e realizando diligências para esclarecer o fato.”

Quanto ao ataque à Casa Terreiro Sete Caminhos de Luz, na CIC, a PCPR informou que a ocorrência foi atendida pela Polícia Militar e mais informações deveriam ser solicitadas a eles. A reportagem não conseguiu contato com a PM até o fechamento da matéria.

Leia também:

E-book expõe e debate arquivos secretos da ditadura

A Lume faz jornalismo independente em Londrina e precisa do seu apoio. Curta, compartilhe nosso conteúdo e, quando sobrar uma graninha, fortaleça nossa caminhada pelo PIX (Chave CNPJ: 31.330.750/0001-55). Se preferir contribuir com um valor mensal, participe da nossa campanha no Apoia-se https://apoia.se/lume-se.