Concentração acontece no CECA a partir das 9h e no RU às 17h30

Por Portal Verdade

Buscando somar às lutas pelo fim das violências contra a mulher, nesta quarta-feira (13) ocorre “Ato contra o feminicídio: em memória de Júlia e Daniel” na UEL (Universidade Estadual de Londrina). A mobilização acontece após o ataque feminicida, registrado no domingo (3) no jardim Jamaica, zona oeste da cidade.

Conforme já amplamente divulgado, inclusive, por veículos de comunicação de cobertura nacional, o atentado deixou duas vítimas fatais: a estudante de Ciências Sociais, Júlia Beatriz Garbossi e o jovem Daniel Suzuki. A terceira vítima, uma estudante de Artes Cênicas, ficou gravemente ferida.

A ação é organizada por docentes e estudantes do CLCH (Centro de Letras e Ciências Humanas) e CECA (Centro de Educação, Comunicação e Artes), também conta com membros da Comissão de Prevenção à Violência Sexual, de Gênero e Étnico-racial do CLCH, da Comissão de Prevenção à Violência Sexual e de Gênero do CECA – a Juntes e do SEBEC (Serviço de Bem-Estar à Comunidade).

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No período da manhã, a partir das 9h, a concentração ocorre no CECA. Além da confecção de cartazes e faixas, o microfone ficará aberto para manifestações. Em seguida, às 10h, os participantes seguem em cortejo até o RU (Restaurante Universitário). 

A partir das 17h30, os manifestantes voltam a se reunir em frente ao Restaurante Universitário. Na sequência, a partir das 18h30 caminham em direção ao gramado do CLCH, onde estão previstas falas de integrantes do movimento estudantil, da Comissão de Prevenção à Violência Sexual, de Gênero e Étnico-racial do CLCH, da Juntes – CECA e do SEBEC.

Também neste momento serão entregues cartas escritas pelos estudantes para a Reitoria, que foi convidada a enviar um representante. A comissão organizadora pede aos discentes de todas as áreas e diferentes níveis de formação (de graduação à pós-graduação) que produzam cartas de pesar, solidariedade, poemas, ilustrações, entre outros manifestos, em que expressem sentimentos e reivindicações frente à violência que afetou toda comunidade universitária.

As criações podem ser anônimas e devem ser entregues na Secretaria Geral do CLCH ou do CECA. Os estudantes também poderão levar os materiais diretamente para o ato.

O evento procura prestar solidariedade aos familiares e amigos das vítimas, bem como solicitar a instauração de uma política institucional de combate às violências de gênero na UEL e, ainda, repudiar todas as opressões misóginas, sendo o feminicídio sua mais grave expressão.

Para a professora Laura Brandini, diretora do CLCH, o ato tem os dois Centros de Estudos das estudantes vítimas como polos irradiadores de atividades e é importante para mobilizar toda a comunidade universitária no sentido de ampliar as ações de enfrentamento à violência de gênero. “É fundamental que estudantes, docentes e agentes universitários participem e apoiem esses momentos em que a UEL deve parar para prestar homenagem a Júlia e a Daniel e repudiar a violência de gênero”, diz. 

O protesto também visa rechaçar tentativas de revitimização das vítimas como a abordagem de “crimes passionais”, que só reforçam a objetificação da mulher, princípio de uma cultura machista. E, neste sentido, reivindica a urgência de nomear as violências como primeiro passo para combatê-las.

É importante pontuar que, de acordo com dados do 17º Anuário de Segurança Pública divulgado em julho, todas as formas de violência contra a mulher aumentaram no país. Em 2022, uma mulher foi morta a cada seis horas pelo fato de ser mulher, chegando a pelo menos 1,4 mil mulheres assassinadas. O documento salienta a subnotificação dos casos. Ainda assim, o índice é o maior registrado desde que a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104) entrou em vigor em 2015.

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