Por Carlos Monteiro*

O dia entardeceu com a ira de Iansã. Foram muitos, foram tantos raios que assustaram.

Havia um certo medo no ar, um certo receio.

Em cada movimento da força que, encima a montanha mais doce e afetuosa da cidade, uma luz intensa banhava a Guanabara. O Cristo, em seus braços abertos, protegia e açambarcava a Cidade Maravilhosa.

Estava quente, o céu ardia em chamas. Um frenesi percorrendo cada movimentação do zéfiro… 

A névoa parece ser um tênue véu encobrindo, a ‘guerra’ entre o céu e a terra.

Sinal dos tempos. Sinal de que o Tempo orixá não suporta mais tantas maldades com o etéreo da natureza.

Eparrey!

*Carlos Monteiro é cronista, jornalista, fotógrafo e publicitário carioca. Flamenguista e portolense roxo, mas, acima de tudo, um apaixonado pela Cidade Maravilhosa.