Desde 17 de fevereiro, viaturas das equipes de elite da PM estão o tempo todo na comunidade, que se sente ameaçada
Nelson Bortolin
A comunidade do Jardim Nossa Senhora da Paz, a Bratac, localizado na zona oeste de Londrina, não tem um dia de sossego desde 17 de fevereiro, quando foram realizados os primeiros protestos pelas mortes dos jovens Wender e Kelvin, ocorridas dois dias antes durante ação da Polícia Militar.
A favela não passa um dia sem visitas constantes das viaturas da Choque e da Rotam, com seus homens portando armamento pesado. Eles rodam as três ruas da Bratac e normalmente vão embora. Não sem antes deixar um clima de tensão na comunidade.
Segundo moradores com os quais a Rede Lume conversou, a presença das equipes de elite da PM não era tão intensa antes. Hoje, elas passam várias vezes ao dia. E é comum passarem em comboio, gerando ainda mais tensão nas pessoas. Há relatos de que alguns policiais xingam os moradores, inclusive as crianças.
“A gente se sente humilhada, um lixo, um ninguém, porque somos da periferia. E é assim que eles nos tratam”, afirma uma moradora do local.
“Os policias passam encarando a gente. Às vezes, dá a impressão de que eles querem que a gente revide essa provocação para arrumar alguma confusão”, conta outra.
“Quando fico sabendo que a Choque está aqui, fico tensa, principalmente se as crianças não estão em casa se meu marido ainda não chegou do trabalho. A vida está muito difícil. A gente vive sob tensão constante”, declara uma mãe de família da Bratac.
Choque é normal, diz PM
A reportagem questionou a Polícia Militar sobre a presença ostensiva da Choque na comunidade. Por meio da assessoria de comunicação, a corporação respondeu que não há “motivos técnicos ou justificáveis” para que o “patrulhamento do Choque não seja realizado em qualquer área de Londrina”. A nota salienta ainda que a Bratac sofre forte influência do tráfico e passa por frequentes apreensões de drogas. “Qualquer desvio de conduta ou ações ilegais são reprováveis pela PMPR, devendo estes atos serem denunciados para apuração.”
Gaeco diz que vai conversar com a PM
A reportagem também procurou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), responsável pelo controle externo da Polícia. O promotor Jorge Barreto disse que o “planejamento e a forma como se dará o policiamento estão a cargo da Polícia Militar”. Se não houver “irregularidade ou ilicitude” no exercício da função dos policiais, não há nada a fazer, segundo ele. “De qualquer forma, procurarei os comandantes e conversarei acerca do tema.”
