Virada a página da eleição mais acirrada do Brasil, os próximos capítulos dessa obra literária real serão escritos com tensão, diálogos, mas sem reviravoltas. Um autor de ficção não teria tanta criatividade para escrever o que se passou nessa disputa. Assédio eleitoral, ações de bangue-bangue com gente armada tentando vencer debate político, a Polícia Rodoviária Federal parando ônibus no Nordeste, os votos daquela região chegando no final para a vitória de Lula. Apenas alguns dos capítulos dessa história.

Momentos turbulentos precisam ficar para trás para que essa narrativa tenha um final feliz. Não que o governo do PT seja 100% assertivo, mas a opção pelas políticas públicas inclusivas e o trato com as minorias, sem deixar de lado ações para o crescimento econômico, fazem valer a opção pelo governo de esquerda.  

Falando de literatura ou de política? O autor Durval Augusto Jr. se inspirou nos momentos turbulentos da política brasileira para, nos últimos dois anos, concluir o romance que começou a escrever ainda nos anos 80. O título foi escolhido neste 2022, “Amor e guerra em Vale Manso”. Uma cidade fictícia é onde se desenrola a trama com ação, busca por novas perspectivas individuais, paixão e a construção de uma sociedade com relações mais justas. 

O livro será lançado em Belo Horizonte (MG) nesta quinta-feira (3), das 19h às 22h, na Biblioteca Pública Estadual (Praça da Liberdade).

A política está presente no romance de forma bastante natural, onde Gabriel, o personagem criado por Durval Augusto Jr., vai se deparar com o coronelismo e as práticas da direita bastante presentes no interior do nosso país. Ele está ali para se livrar de uma dor, e o passado na cidade grande não o libertará tão cedo. No prefácio, Jalmelice Luz, jornalista e escritora, ressalta uma frase contundente: “Gabriel fora jogado na luta pela vida bruscamente com armas de festim, enquanto as que o mundo lhe disparava eram de verdade”. 

No seu sétimo livro, o escritor desenha seus personagens, protagonistas e secundários, com tintas bem definidas. O encontro com um novo amor em Vale Manso também contribui para uma jornada de herói. O leitor terá surpresas, e lerá num fôlego só essa história.  

Durval já experimentou o estilo rebuscado de Guimarães Rosa, autor do clássico Grande Sertão: Veredas em Sem Paredes (2001), mas agora escreve em linguagem ágil e descomplicada. “Naquele livro eu busquei uma linguagem do sertanejo, como o grande escritor mineiro, claro que na condição de iniciante na arte da escrita”.

Se no início da narrativa identificam-se os aspectos comuns de uma pequena cidade, com seus moradores apreciando uma boa prosa regada a cachaça, com o passar o tempo, Gabriel vai conquistando amigos e inimigos. Sendo impossível dissociar a vida amorosa das ações econômicas e políticas, é nessa atmosfera tensa que se constrói especialmente a segunda parte: “Vou morrer na quinta-feira”. 

Mesmo de olho nessa última disputa eleitoral no Brasil, cujo resultado reverbera ainda nos dois lados, para criar a atmosfera política, Durval voltou no tempo. “Eu me lembrei da dicotomia entre MDB e Arena nos anos 60 e trouxe para a obra, porque hoje vivemos isso. Quando o personagem cria uma comunidade com valores diferentes, ele vai se opor aos donos do poder”, afirma o escritor. 

Outros livros lançados por Durval Augusto Jr, que é psicólogo formado pela PUC Minas, e astrólogo: Fernando Capeta Urubu, Almas tontas, Quero matar o prefeito, A Aljava de Cupido – todos de ficção – e Desvendando a linguagem dos astros. 

Serviço:

Lancamento: “Amor e Guerra em Vale Manso”

Local: Biblioteca Pública Estadual – Praça da Liberdade – Belo Horizonte (MG)

Data e hora: 3 de novembro, das 19h às 22h

Vendas pela internet: paginaseditora.com.br

*Leida Reis é autora de oito livros publicados – dentre eles o romance “A invenção do crime” pela editora Record e “A casa dos poetas minerais” -, sendo três para crianças. Criadora do Clube do Livro Infantil Solidário (Clis) e da Mercearioteca (biblioteca comunitária em BH), fundadora da Páginas Editora, com experiência em curadoria de eventos literários e jurada de prêmios. É também jornalista formada pela UFMG, com 27 anos de atuação.

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