Evento contou com participação intensa da juventude num misto de luta e celebração de existências
Lua Gomes, especial para a Rede Lume
Fotos: Lua Gomes
Londrina. A jovem cidade vanguarda na produção cultural e que, em tempos atuais, se rendeu a um conservadorismo que não combina com suas cores, juventude e sorrisos. Quem tem amor por esse lugar sempre vai achar que merecemos mais que isso. Ontem, quem foi à 5ª Parada Cultural LGBTI+ sentiu o abraço e o sorriso da juventude. A alegria de existir e de encontrar pares que podem, sim, quando juntos, ser felizes e ter leveza.
O sentimento foi de comemoração, de uma sinergia vibrante e, sobretudo, muita esperança. Foi lindo ver famílias se abraçando e vivendo momentos juntas; muitos grupos de amigos e, cada vez mais, rostos mais jovens tendo a alegria de curtir e serem quem são.
Vou ao evento desde a primeira edição e sempre fiz questão de levar minhas filhas, para que compreendessem a felicidade que há em sermos quem queremos ser; que o respeito está na simplicidade de entender que o sorriso é a identidade que nos aproxima das demais pessoas e que a existência do outro é, sim, um direito pelo qual todos nós temos que lutar.
Acho que funcionou: hoje, sendo as três adolescentes, fui convidada por elas a ir, para compartilhar sorrisos nesse espaço de resistência, lutas e alegria. Fica claro nas conversas com as pessoas que a Parada é mais que uma festa.



“Muito importante ter uma parada dessa em Londrina, numa cidade tão conservadora, em que pouquíssimos espaços são ocupados pela população LGBTQIA+. Cada vez mais a gente tem que ter um movimento forte, mais concreto, porque a gente tem que ocupar todos os espaços, a gente não pode ficar recluso, nem com medo”, diz Luan Matheus Cito, 26.
“A gente não pode se esconder, esse é o nosso ambiente, a gente tem que tomar espaço sim, porque é nosso direito de viver”, completa Beatriz Cardoso, 25.
Parada LGBTI+ é uma luta política
A cantora Luiza Braga, 30, esteve na Parada com o filho ainda de colo. Ela vê o evento como um espaço também político e necessário de afirmação de existências.
“Penso que a Parada existe para que a gente exista. É importante que ela aconteça porque é uma celebração da nossa existência. Recentemente – acho que desde a pandemia e a ascensão do governo de extrema-direita que ainda, momentaneamente, nos governa -, a gente passou por um processo de dúvida de como existir, como ser resistência. Então, estar de volta é muito marcante”, comenta.


“É muito emocionante ver muita gente aglomerada, desde a própria comunidade até nossos familiares. É um espaço político a ser levado por todas as pessoas, então é muito importante ver isso acontecendo.”
Para a cantora Tháis Felisbino, 34, a Parada é um momento que desafia o conservadorismo local com a força da juventude.
“Estou aqui hoje por resistência e acho também que, talvez, a juventude de Londrina não seja tão conservadora. Creio que por ser uma ciade universitária também e por receber muita gente de fora. Eu, por exemplo, não sou de Londrina. Acho que por ser uma cidade grande do nosso Norte do Paraná, tem muito jovem que vem buscando justamente o contrário do conservadorismo: o progresso, o progressismo. Acho que esse lugar representa essas pessoas”, avalia.
Caravanas
Carlos Felipe e Lucas Nascimento Corrêa vieram de Ibaiti para a Parada. “Estou aqui hoje para mostrar para o Brasil que nós somos pessoas normais, como todas, e merecemos repeito e estamos lutanto pelo nosso direito”, diz Carlos.
“É o momento da nossa manifestação cultural, de resistência, onde a gente pode ser nós mesmos, viver nossa sexualidade com liberdade, um movimento que vai contra todo preconceito, todo ódio, principalmente num ano político em que a gente vive no mandato de um – até então – presidente que é movido por ódio, preconceito e arrogância”, completa Lucas.

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