“Proibido Nascer no Paraíso” retrata realidade da proibição informal de partos em Fernando de Noronha e será exibido em duas sessões gratuitas
Da redação
A falta de autonomia das mulheres sobre o próprio corpo durante a gestação e a dificuldade de fazer valer suas escolhas para o parto é o tema do documentário “Proibido Nascer no Paraíso”, que será exibido de maneira gratuita em uma sessão debate em Londrina.
O filme acompanha as angústias e os desafios de três grávidas que moram em um dos principais pontos turísticos brasileiros, a ilha de Fernando de Noronha (PE). Elas são forçadas a se afastar de casa, do trabalho e da família 12 semanas antes da data prevista para o nascimento.
Isso porque, desde 2004, o governo local decidiu suspender os partos no único hospital local, que atende apenas pelo SUS. Todas as grávidas são encaminhadas a Recife, nem mesmo as nativas podem ficar.
O documentário, que está em turnê pelo Brasil, será exibido nesta sexta-feira (9), às 19 horas, no MARL (Av. Duque de Caxias, 3241).
Participam do debate a diretora do filme, Joana Nin, a socióloga da Rede Feminista de Saúde Elaine Galvão, a Conselheira Municipal pelos Direitos das Mulheres Karime Peres Vilela, a integrante da Rede Feminista de Saúde e do Néias Observatório de Feminicídios de Londrina Meire Moreno, a presidenta do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Londrina, Sueli Galhardi, e a doula Milene Souza.

Documentário retrata violência obstétrica
“Quem é que faz as regras?”, pergunta uma das três gestantes que empresta sua história ao filme. Dona de uma pequena tapiocaria, Babalu é nativa e filha de nativos de Fernando de Noronha, um dos destinos turísticos mais cobiçados no Brasil.
Ela estava decidida a enfrentar a tudo e a todos para dar à filha o mesmo berço de suas antepassadas, mas para isso precisaria afrontar regras que impuseram uma proibição informal aos partos. Desde 2004, as gestantes locais são forçadas a se afastar de casa por no mínimo três meses por falta de atendimento de saúde especializado na ilha.
A partir da realidade de Babalu e de outras duas gestantes, Harlene e Ione, o filme propõe um debate sobre o direito da mulher sobre o próprio corpo e sobre a violência obstétrica. A produção é da Sambaqui Cultural, produtora que atua em Curitiba e no Rio de Janeiro.
“Depois de pesquisar a situação durante alguns anos, entendi a complexidade de montar um serviço de referência, uma maternidade na ilha. Mas nunca vou entender a opção do Estado de decidir pelas mulheres sobre algo que deveria levar em conta os desejos delas. Por que não fornecer informação e o melhor atendimento possível para aquelas que decidirem ficar?”
“Fico me perguntando se a obsessão por forçá-las a sair não levou o hospital local a fechar o centro cirúrgico que atendia também a outros tipos de emergência, tamanho o medo que se tem das mulheres desrespeitarem essa regra esdrúxula de as obrigar a se afastar de casa por longos meses para ter seus filhos”, afirma a idealizadora do filme, Joana Nin.
O documentário ficou pronto quando as salas de cinema estavam fechadas, em restrição à covid-19. Depois de atravessar a pandemia surfando na onda do mundo virtual, o filme chega às telas por meio de uma campanha de impacto.
Nesta proposta inovadora de distribuição, o cinema é utilizado como ferramenta de transformação social, a partir de um planejamento de comunicação estratégica.
“A ideia dessa campanha é mobilizar uma rede de ativistas, de ONGs e pessoas ligadas à causa para que eles atraiam seus seguidores. E o que você dá em troca? Coloca o filme à disposição delas e oferece sessões gratuitas com debate”, explica a cineasta.
O público mais engajado na causa acaba ajudando na divulgação do filme, principalmente nas redes sociais. O objetivo é que o documentário chegue ao maior número de pessoas possível e fomente o debate sobre o tema.
As datas e locais de exibição podem ser acompanhados no Instagram do filme e também nos links divulgados em: https://linktr.ee/proibidonascernoparaiso.
(Com informações da assessoria de imprensa)
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