Cesta para uma pessoa está custando R$ 587,34 em Londrina, comprometendo 48,5% do salário mínimo
Cecília França
Foto: Cristiano Souza/Unsplash
O preço da cesta básica em Londrina registrou aumento de 2,07% em dezembro, após queda em novembro, fechando o ano a um custo médio de R$ 587,34 para uma pessoa. Para uma família de quatro pessoas a cesta custa R$ 1.762,02. Em relação a dezembro de 2021, quando custava R$ 506,13, houve aumento de 16%. A pesquisa mensal é do Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Nupea).
O economista resposável pelo levantamento, Marcos Rambalducci, explica que alguns produtos costumam apresentar aumento de preço devido à demanda tradicional no fim do ano. Dentre os que compõem a cesta, a carne é o que costuma apresentar elevação nesse período. Isso, entretanto, não ocorreu.
“Como a carne apresentou um recuo em seu preço de 9,8% na média, fica claro que o que está agindo de forma mais determinantes sobre os preços não é a demanda de final de ano”, avalia Rambalducci. A farinha foi o produto com maior aumento: 70,1%, com preço médio de R$ 7,72 o quilo. Em seguida aparecem a batata, com 51,8% de elevação, e o tomate, com 22,2%.
“A queda na oferta mundial de trigo, especialmente com a perda de safra ocorrida no Canadá e a perspectiva de manutenção do conflito bélico entre Rússia e Ucrânia, elevaram o preço do produto no mercado externo”, explica Rambalducci sobre o comportamento atípico.
“O Brasil importa praticamente 60% do trigo que consumimos. Daí que a alta no mercado internacional, somado a índices de inflação elevados, fazem com que o preço da farinha tenha disparado”.

A carne, que tenderia a apresentar alta, registrou queda de 9,8% por motivos alheias à demanda dos consumidores. O preço médio do quilo da carne pesquisada (coxão mole bovino) ficou em R$ 35,47.
“O preço da carne no mercado externo caiu significativamente em função de renegociações feitas por importadores de nossa carne, especialmente a China. Por outro lado, aumentou a oferta de gado para o abate. Estas duas condições fizeram com que o preço caísse quase 10% na média”, ressalta o economista.
Os demais produtos que apresentaram alta foram banana (21,4%), arroz (6,4%), açúcar (2,8%) e paõ (2,1%). Tiveram queda, além da carne, leite (-7,3%), café (-3,2%), margarina (-2,8%), feijão (-1,7%) e óleo (-0,1%).
Corrosão do salário mínimo
A cesta básica fecha o ano consumindo 48,5% do salário mínimo nacional e 36,3% do mínimo paranaense. Rambalducci vê pouco espaço para uma mudança na política de valorização a partir do próximo ano.
“Vejo com alguma preocupação a perda do poder aquisitivo do salário mínimo frente a falta de uma política clara de controle da inflação. De pouco ou nada vale aumentar salário mínimo em 10% se a inflação corroer seu poder de compra em 15%”, alerta o economista.
