Milhares de apoiadores viajaram de todo o Brasil para ver o presidente assumir o cargo pela terceira vez e para comemorar uma vitória histórica da democracia
Mariana Guerin
Foto em destaque: Tania Rego/Agência Brasil
Uma cerimônia de posse emocionante: o povo brasileiro entregou a faixa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva na tarde deste domingo, 1 de janeiro de 2023, em Brasília.
A cerimônia teve início pouco antes das 15 horas. Após desfilar em carro aberto ao lado da esposa, Janja da Silva, do vice-presidente, Geraldo Alckmin e a esposa dele, Lu Alckmin, Lula subiu a rampa do Congresso Nacional acompanhado pelo vice e pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.
Assinou a posse e proferiu um discurso que prioriza o combate à desigualdade social, à fome, à intolerância e ao preconceito. Falou de cultura e educação e de como vai precisar da ajuda do povo brasileiro para reconstruir o país depois de quatro anos de abandono.
Após um descanso, o presidente saudou o Exército e seguiu em carro aberto para o Palácio do Planalto, onde foi recebido por uma multidão de apoiadores.
Ao chegar à rampa, a expectativa de quem iria passar a faixa presidencial se dissipou: oito pessoas que representam a diversidade do povo brasileiro se juntaram à Lula, entre eles o líder indígena cacique Raoni Metuktire, de 90 anos.
De mãos dadas, Lula e os brasileiros subiram juntos a rampa do Palácio do Planalto, ao lado da cadelinha Resistência, a vira-lata que foi resgatada no período em que Lula esteve preso em Curitiba e cuidada pela primeira-dama até a soltura do petista.
Estavam ao seu lado Francisco Filho, de apenas 10 anos, morador de Itaquera e torcedor do Corinthians, que Lula conheceu no Natal dos Catadores, em São Paulo, o pedagogo Ivan Baron, 24, jovem influencer nordestino referência na luta anticapacitista, Weslley Vieba Rodrigues Rocha, 36, metalúrgico do ABC Paulista, e o professor de Letras Murilo de Quadros Jesus, 28.
A cozinheira Jucimara Fausto dos Santos e o artesão Flávio Pereira, 50, paranaenses que estiveram na vigília Lula Livre, nos anos em que o presidente esteve preso em Curitiba, também participaram da cerimônia.
A faixa passou de mão em mão entre os representantes, até chegar a Aline Souza, 33 anos, mulher preta, catadora de materiais recicláveis desde os 14 anos, como sua mãe e sua avó. Foi ela quem coroou a vitória da democracia no último pleito eleitoral e colocou a faixa presidencial em Lula. Saiba mais sobre esses personagens aqui.
Sem conter as lágrimas, Lula se emocionou com a multidão de apoiadores que fez tremular a bandeira brasileira ao som do hino nacional. “Boa tarde, povo brasileiro”, cumprimentou o presidente, ao iniciar seu discurso democrático de união e reconstrução.






Posse presidencial: os primeiros a chegar
Robson Messias, produtor cultural paraense, foi o primeiro a montar acampamento para a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas imediações do Congresso Nacional, em Brasília. Em entrevista ao repórter fotográfico Filipe Barbosa, especial para a Lume, ele conta que acompanha as posses de Lula desde 2003 e fala sobre o significado do novo mandato.
“Desde a primeira posse a gente vem falando da importância de o Lula estar aqui. Ele vai representar aquilo que o povo mais precisa: um Brasil rico, imenso. A gente só precisa ter mais igualdade, mais compreensão e mais acesso ao que é de verdade, aos órgãos públicos, principalmente universidades, alimentação e habitação. A nossa expectativa é que Lula recupere tudo isso que foi tirado da gente desde o golpe contra a Dilma”, declarou.

Robson é diretor do filme “A Guerreira Gavião”, que registra relatos de sequestros de crianças indígenas. Ele saiu do Pará no dia 12 de dezembro e montou acampamento no dia 17. “A esperança voltou, aqui é o acampamento da esperança”.
Erval Nogueira Júnior viajou de bicicleta, partindo da comunidade Barra do Riacho, em Aracruz (ES), para acompanhar a posse de Lula em Brasília. Ele saiu de casa em 21 de dezembro, “às 4 horas e 39 minutos”, e pedalou 770 km pela BR 259, que liga o Espírito Santo a Minas Gerais. Chegou em Brasília no dia 30.
“Comecei a estudar a rota uns quatro meses atrás”, contou Erval, que está “muito feliz” de ter completado a missão, apesar da preocupação dos familiares. “Minha família sabia o tanto que eu ia ficar feliz com isso, então eles rezaram comigo e estão felizes e satisfeitos”, comemorou.

para acompanhar a posse de Lula/ Foto: Filipe Barbosa
Com próteses nos dois joelhos, Erval encontrou no pedal as condições que precisava para se exercitar e manter a saúde após duas cirurgias realizadas em 2016 e 2018. “O pedal me proporcionou uma saúde melhor, fortalecendo o músculo da perna para que a prótese tenha mais durabilidade”, disse o ciclista, que viajou para Brasília em comemoração ao resultado da eleição.
“Estive aqui no primeiro ano em que Lula foi eleito, em 2003, e como ele disse que é a última vez que ele vai estar como presidente, eu vim de novo”, contou Erval, que treinou muito para se preparar para a viagem até a Capital. “Comecei aos poucos, em meados de 2018. Em 2019, viajei mais de 300 km de Aracruz para Campos dos Goytacazes (RJ) e em março deste ano estive no Rio de Janeiro. Foram 641 km em quatro dias. Fui treinando para esse projeto de vir ver a posse do Luiz Inácio Lula da Silva. Eu vim para a inclusão social, para a inclusão da saúde, para a inclusão da diversidade, para a inclusão, para a inclusão da educação e em defesa da natureza.”
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