Imagens e texto do repórter fotográfico Filipe Barbosa para a Lume reconstroem a posse presidencial

Por Filipe Barbosa

A posse do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi marcada por grandes emoções. Depois do país ter vivido tempos difíceis após o golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff e os governos de Temer e Bolsonaro, deixando o país bagunçado, tivemos a esperança novamente de um país alegre.

Exatos 20 anos atrás, Lula subia a rampa para ser presidente do Brasil pela primeira vez. Eu era um menino que morava em Recife (PE). As pessoas gritavam de alegria. Fogos de artifício soltados no bairro de Areias, na parte sul da cidade. Essa alegria do povo se repetiu agora.

Em março de 2022, Lula fez seus primeiros contatos com o povo, no Assentamento Eli Vive do MST (Movimento Sem Terra), em Londrina, depois de um longo período de pandemia. Foi lá que o país olhou o candidato da democracia. A democracia que por muitas vezes foi atacada nesses últimos anos.

Lula, na sua passagem por Londrina, destacou a necessidade do combate à fome, com brasileiros vivendo em vulnerabilidade alimentar. O Brasil tinha entrado novamente no mapa da fome. Esse é um dos compromissos do Presidente: acabar com a fome no Brasil.

Lula venceu as eleições. Não somente ele. O povo venceu. E mesmo depois do triunfo, bolsonaristas ameaçavam novamente a democracia. O Bolsonaro saiu, mas o bolsonarismo continua entre as pessoas que seguem seus pensamentos.

Pedidos antidemocráticos em frente aos quartéis generais, pessoas com agressividade contra o poder judiciário do país. O discurso de Bolsonaro deixou um país ferido na ignorância. Até mesmo a posse presidencial foi ameaçada várias vezes.

O povo que expulsou Bolsonaro fez parte de um processo histórico. Me incluí junto com os colegas jornalistas. Quis concluir essa tarefa de registros da recuperação da democracia do nosso país estando em Brasília.

Caravanas de todos os cantos do Brasil chegavam á cidade planejada. Alguns foram de bicicleta, outros de carro com amigos, alguns pagaram promessas de serem os primeiros a estarem na frente do Congresso Nacional.

Aos poucos, Brasília deixava de ser o verde e amarelo, simbolismo bolsonarista, para ser o vermelho, verde, amarelo e as cores que podem representar essa diversidade. As praças tomadas de turistas e de um povo que sonha com um Brasil melhor.

O dia primeiro de janeiro de 2023 foi marcante. Não havia ódio, havia amor, alegria nos rostos enquanto uma multidão caminhava até a Esplanada dos Ministérios. O dia estava ensolarado depois de uma semana muito chuvosa. Era o recomeço.

O cortejo rico em cultura. Maracatu, Frevo, Capoeira, indígenas, religiões africanas, tudo em um só lugar. O samba, Bonecos de Olinda, mistura de gente. Porque esse é o Brasil de todos. Em uma das fotos, uma apoiadora estava com máscara da “La Ursa”, símbolo da cultura pernambucana em carnavais. A música diz: La ursa quer dinheiro, quem não dar é pirangueiro. Ela continuou que o povo quer dinheiro, educação, trabalho, moradia digna e saúde.

Brasília saiu das cinzas nuvens. Grupos sociais como MST, MAB, Povos Indígenas e outros, caminhavam unidos em uma extensa avenida, cantando e abrindo espaço aos que foram excluídos pelo antigo governo.

Lula, Janja, Alckmin e Lu saíram em carro aberto da Catedral de Nossa Senhora Aparecida, fazendo o roteiro por onde estava o povo. Uma euforia de emoções tomou conta daquele mar de gente. Uma senhora estava agarrada na grade e dizia: “Quero ver Lulinha, Lulinha, cheguei, vem!” Pessoas em cima das arvores da Esplanada, outros com suas toalhas estampando a foto do Presidente Lula.

Na rampa, o povo subiu com Lula. Uma diversidade do que é o povo. E assim foi passada a faixa presidencial, por uma mulher negra, quebrando todos os protocolos.

Nunca vi tantas pessoas emocionadas em escutarem e cantarem o hino nacional. Antes, o hino nacional tinha uma obrigatoriedade em suas regras. Era diferente. Era o povo recuperando sua bandeira. Um coral vermelho cantando o hino e emocionado com o discurso do Presidente Lula.

Para os que não podiam estar na Praça dos Três Poderes, os telões do Festival do Futuro mostravam o poder de um político do povo brasileiro.