Roda de conversa discutiu políticas públicas de Londrina na prevenção, aconselhamento e tratamento de HIV e outras IST’s

Da Redação

Com reportagem de Filipe Barbosa

O Ylê Axé Ópó Omim I, Núcleo Renafro Londrina, no Conjunto Maria Cecília, zona norte da cidade, promoveu neste sábado (21) uma atividade de saúde para a comunidade, com a presença de profissionais do Sistema de Saúde e visitantes de outros estados, como São Paulo e Santa Catarina.

A atividade iniciou com um farto café da manhã e às 9h ocorreu uma roda de conversa sobre as políticas públicas de saúde de Londrina na prevenção, aconselhamento e tratamento de HIV e outras IST’s. Também foram esclarecidas dúvidas sobre hanseníase, já que o mês de janeiro é destinado ao combate mundial dessa doença também estigmatizada.

Mãe Omim, Ialorixá do Ylê Axé Ópó Omim, é militante histórica do direito à saúde, valorizando o conhecimento da medicina moderna e da medicina espiritual com as ervas.

O encontro também marcou o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro em lembrança da morte de Mãe Gilda de Ogum, no ano 2000, em Salvador (BA).

Mãe Omim comentou sobre a sanção, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da lei que instituiu o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, a ser comemorado anualmente no dia 21 de março.

O projeto que deu origem à lei é de autoria do deputado Vicentinho (PT-SP) e foi aprovado no Congresso Nacional em dia 21 de dezembro de 2022. Para a líder religiosa, os praticantes das religiões de matriz africana vivem um novo momento.

“É momento de a gente pensar, ‘que bom, é um direito de todos e nós também ganhamos o nosso direito’; uma lei que nos protege e nos diz nós podemos cuidar de nós, zelar pela nossa saúde, tocar nosso tambor, bater nossas ervas, sair na rua com nossos roupas de Orixás. Temos a nossa lei também do racismo institucional, temos um monte de coisas que nós perdemos e agora estamos tendo tudo de novo, nossos direitos”, avalia.

A Ialorixá também falou sobre o acirramento da intolerância.

“Nós somos gente igual a todos e isso estava machucando muito nós de terreiro, filhos de santo, mães e pais de santo. A gente não podia fazer muita coisa. Teve alguns ataques de intolerância religiosa no nosso município”, relembra.

“A ignorância é uma doença muito grande; o fanatismo também é uma doença muito grande. Cada um tem que seguir o seu caminho, o ‘amigão’ lá de cima é um só”.

À noite, a partir das 20h, acontece no terreiro celebração religiosa em homenagem às Águas de Oxalá.

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