Mateus Furquino conversou com os jovens cinco minutos antes de eles serem mortos pela polícia

Foto em destaque: perfurações no para-brisa do Cruze

Nelson Bortolin

Entre os familiares dos jovens de William Jones Faramilio da Silva Junior e de Anderbal Campos Bernardo Junior, mortos pela polícia dia 6 de maio de 2022, ninguém acredita que eles estavam armados. O amigo Mateus Furquino também não. Foi da casa deles, no Parque Universitário (zona oeste), que os jovens saíram em direção ao Catuaí.

Em depoimento à Polícia, Furquino faz sinal de “entre aspas” com as mãos quando pronuncia a palavra “confronto”. “Estive com eles minutos antes em casa. Entrei no carro, não tinha nenhuma arma. Eu só não fui (para o Catuaí com os amigos) porque tinha acabado de chegar do trabalho e estava cansado.”

Se tivesse aceitado o convite poderia estar morto hoje.

Carro foi roubado pela manhã

O veículo Cruze onde estavam os jovens, segundo boletim de ocorrência, foi roubado naquele dia às 7 horas da manhã, na Rua Canudos (região central). A dona disse à polícia que estava saindo para trabalhar quando foi abordada por dois indivíduos magros de blusas pretas e capuzes, que deram voz de assalto e levaram o carro.

A polícia diz que fez buscas pelas proximidades e não encontrou nada.

Às 15 horas, os policiais teriam recebido a informação de que “indivíduos” estavam trocando placas de um Cruze branco na Rua Charles Roberto Darwin no Jardim Presidente (região central). Alegam que fizeram patrulhamento no bairro, mas também não encontraram nada.

Já às 17 horas, a Choque teria recebido comunicado da P2 dizendo que o carro com os três jovens estava na PR 445. A viatura se deslocou para o local e deu início à perseguição que resultou nas mortes.

Tiros que não acabam mais

Os laudos do Instituto Médico Legal (IML) de Anderbal e Willian mostram várias lesões em seus corpos causadas por tiros. No caso de Anderbal, havia uma lesão de entrada de bala no pescoço; cinco lesões no tórax (uma de entrada, uma de saída e três de raspão); duas lesões de entrada em membros superiores e oito lesões na pelve, sendo seis de entrada e duas de saída, além de uma lesão condizente com bala de raspão no crânio.

Já no laudo de William aparecem seis lesões no tórax sendo quatro de entrada, duas de saída e duas de raspão. Nos membros superiores, mais nove lesões, cinco de entrada e quatro de saída. Na pelve, oito lesões (cinco de entrada e três de saída), além de uma lesão causada por bala de raspão no abdome e um projétil alojado em bolsa escrotal.

Nenhum tiro foi disparado em direção aos policiais nem às viaturas da PM. 

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