A nossa linguagem é viva e está sempre em movimento e por isto passa por várias mudanças de ortografia de termos ou expressões.
Há 35, a partir do nascimento de uma filha com deficiência, passei a estudar estas mudanças no campo da inclusão.
Ao longo deste tempo, a linguagem para definir pessoas com deficiência tem se modificado muito, sempre com o o propósito de diminuir o preconceito e respeitar cada indivíduo com pessoa única em suas peculiaridades e características.
Assim surgem novas palavras como CAPACITISMO, que significa a discriminação de pessoas com deficiência (em inglês fala-se ableguem).
O termo é pautado na construção social de um corpo padrão sem deficiência, denominado normal e da subestimação da capacidade e aptidão das pessoas em virtude de suas deficiências.
Algumas expressões capacitistas são muito fáceis de compreensão como “ dar uma de João sem braço”, “agiu como um retardado”, “perdido como cego em tiroteio” etc.
Em outras vezes, o capacitismo vem disfarçado de boas intenções, sem que as pessoas percebam o preconceito existente em suas falas ou ações.

Alguns exemplos típicos de capacitismo imperceptíveis aos que falam, mas bastante incômodo aos que ouvem:
Caso 1:
Estava na casa de uma amiga, quando seu vizinho chega para lhe entregar seu convite de formatura. Ele é advogado e está concluindo o curso de jornalismo. É um rapaz com paralisia cerebral, com comprometimento na fala.
Minha amiga conversa com o rapaz com uma linguagem muito infantil. Somente ao pontuar esta atitude, ela entendeu que seu comportamento foi totalmente capacitista ao tratar como criança um homem intelectualmente capaz.
Caso 2:
Um amigo é atleta paralímpico e faz seus treinos diários em lugares íngremes, com pouca acessibilidade. Ele conta que com muita frequência, pessoas empurram sua cadeira de rodas, sem sequer lhe perguntar se precisa desta ajuda.
São fatos simples e corriqueiros, que têm a finalidade de levar a atenção para nosso comportamento diário para a construção de uma sociedade menos preconceituosa e mais inclusiva.
*Odette Castro é artista, escritora, ativista social. Através da sua experiência com a dor e o luto, mostra que é possível seguir em frente e ser feliz. Já foi servidora pública e também empresária. Hoje é cronista do cotidiano, criadora dos projetos “Uma flor por uma dor” e “Fale certo”, autora de “Rubi”, ativista de inclusão social, mãe e avó
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