Por Vinícius Fonseca
Sou Pessoa com Deficiência (PCD), com mais de 15 anos de mercado de trabalho. Em praticamente todas as empresas pelas quais passei atuei por regime de cotas. Já atuei como jornalista, recrutador, especialista em treinamento, na área comercial, voltado para cobrança, ou seja, em diferentes frentes e áreas de trabalho.
O que percebi em todas elas? Os funcionários PCDs quase sempre são estigmatizados como os que trabalham pouco e porque não podem ser demitidos ou porque não dão conta do serviço.
Esse discurso é repetido constantemente por outros funcionários, gestores e, pior, por profissionais que também têm algum tipo de enquadramento PCD. É preciso que isso mude, que isso pare, sobretudo entre nós que possuímos alguma deficiência, não só por se tratar de uma mentira, afinal uma pessoa com deficiência pode sim ser demitida, mas também porque reforça um discurso preconceituoso.
Não estou dizendo que é para você, pessoa com deficiência, olhar para o colega que também tem enquadramento e entrega menos que você e achar que está tudo bem. Que é preciso fazer vista grossa.
O que defendo aqui é que você siga entregando o seu melhor e cuidando da sua carreira, sem fazer parte da turma que discursa de modo a menosprezar ou diminuir os funcionários PCDs.
Ora, mais cedo o mais tarde esse discurso de que trabalhar com pessoa com deficiência é difícil porque entregam pouco e se escoram na lei de inclusão vai respingar sobre você.
O que estão tentando te vender à conta gota, é uma ideia, ideia essa que, com o tempo, pode reduzir seus direitos e prejudicar não só sua imagem, mas de toda uma classe.
Talvez você diga, eu sempre trabalhei direito, jamais vão pensar mal do meu trabalho, o problema é fulano. Quanto tempo você acha que isso deve levar até começar a te afetar? Digo isso, porque mais cedo ou mais tarde você será afetado.
O intuito aqui não é “passar pano” para quem se aproveita de sua condição e realiza um trabalho ruim. No entanto, se você olhar bem e com um pouco mais de critério, perceberá que em todas as áreas, e eu passei por várias delas, há profissionais bons e profissionais ruins, então por qual razão vamos julgar apenas o desempenho de pessoas com deficiência.
Se quisermos, enquanto PCDs, viver em uma sociedade mais inclusiva temos muitas lutas à travar e com certeza, a falta de união entre nós só fortalece estigmas e atrapalha nossas batalhas.
Vinícius Fonseca é pessoa com deficiência, jornalista, tecnólogo em gestão de Recursos Humanos com especialização em assessoria em Comunicação e M.B.A. em Gestão de pessoas. Também é escritor de poesias e contos, além de um eterno curioso.
