Em sessão que recebeu irmã de jovem morto pela PM, vereadores decidiram pressionar governo pelos equipamentos

Nelson Bortolin

Câmeras em policiais – Familiares de pessoas mortas pela polícia conseguiram o apoio da Câmara Municipal de Cambé para pressionar o governo do Estado a instalar câmeras de vídeo nas viaturas e nos uniformes dos policiais paranaenses.

Na sessão da última segunda-feira (9), a Presidência do Legislativo abriu espaço para a jovem Camile Costa Bispo Pereira pedir o apoio dos vereadores em relação às câmeras. O irmão dela, Bruno Domingos Costa Bispo Pereira, foi morto pela PM no dia 30 de maio.

Acompanharam Camile outros integrantes do Movimento Justiça por Almas – Mães em Luto na Luta, que além das câmeras reivindicam, entre outras coisas, a obrigatoriedade de exames toxicológicos para policiais e uma força-tarefa para investigar todos os casos de mortes decorrentes de ação das forças de segurança.

“Só de imaginar perder um membro da família me corta o coração” disse o vereador Jefferson Guedes, do União Brasil, antes de pedir ao presidente da Casa, Tokinho (PTB), que enviasse ofício ao governo do Estado cobrando as câmeras. Ele também defendeu o exame toxicológico obrigatório para policiais.

O vereador Dr. Fernando Lima (União Brasil) contou que esteve no velório de Bruno e que nunca tinha visto uma “manifestação pacífica e emocionante” como a feita pelos familiares e amigos do jovem. “Quanto mais ferramentas de controle a gente tiver, melhor para diminuir as falhas e os erros que causam tanto sofrimento para a população”, afirmou.

Camile com a carta do vereador Igor Mateus (PL) em apoio às câmeras em policiais

A família de Camile é bastante conhecida na cidade. E acredita que, ao contrário do que diz a polícia, Bruno foi executado. “Sem querer culpar A ou B, defendo que seja feita a justiça para todo mundo, começando pelas investigações. Se houver culpados que sejam punidos”, disse Lima.

O vereador Galego, do PSL, contou que era cliente do lava-jato que Bruno mantinha em Cambé e o conhecia desde pequeno. “Entendo a angústia de vocês”, disse ele, direcionando-se a Camile e outros familiares. “Ninguém está aqui para julgar ninguém, mas queremos transparência”, declarou.

Segundo o vereador Odair Paviani (PSDB), as câmeras nos uniformes também seriam importantes para os policiais porque podem esclarecer melhor as cenas das abordagens.

Matos (PSD) foi outro que defendeu os equipamentos. “Não estamos aqui para dizer quem está certo ou quem está errado, mas as câmeras podem fazer isso. Não sei por que ainda não aprofundamos essa discussão aqui”, disse.

A assessoria do vereador Igor Mateus (PL) entregou a Camile um requerimento no qual solicita à Presidência da Casa o apoio ao projeto.

Pressionado por instituições como Ministério Público e Defensoria Pública, o governo do Estado diz que tem interesse em experimentar as câmeras nas fardas e viaturas, experiência exitosa em estados como São Paulo e Santa Catarina. Uma licitação foi aberta para locar 300 equipamentos para um projeto-piloto.

O governo diz que vai testar essas câmeras em policiais durante um ano e depois vai estudar se adota ou não o sistema.

As 300 câmeras não representam nem 1% da corporação da PM do Estado.

Morte de Bruno

Segundo Camile, o irmão foi morto pela PM em Cambé no dia 30 de maio às 6h50. Havia uma denúncia de tráfico de drogas no lava-jato dele e a polícia teria obtido mandado para entrar na casa do jovem.

Bruno foi morto dia 30 de maio deste ano

“A polícia disse que meu irmão levantou da cama e pegou uma arma embaixo do travesseiro, quando deram voz de prisão para ele. Como meu irmão não obedeceu, eles tiveram de atirar”, conta.

Mas ela não acredita nessa versão. Diz que havia um tiro na cama de Bruno, o que seria contraditório com a versão de que ele reagiu em pé.

A irmã diz que Bruno, que já respondeu por porte ilegal de arma, relatava sofrer ameaças por parte da Rotam. “Ele disse que um dia os policiais iam pegar ele.”

Eli Cristina, tia de Bruno, também não acredita que o sobrinho tenha tido coragem de enfrentar sozinho dois policias armados. “Ele gostava de viver, amava a vida. Ele jamais enfrentaria dois fardados.”

A Rede Lume ainda não conseguiu contato com o 5º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento de Cambé, para tratar desse assunto.

 

 

Câmeras em policiais