Evento acontece nesta sexta-feira (20), às 19h; é necessário inscrição prévia

Da Redação

Acontece nesta sexta-feira, dia 20, o I Simpósio Municipal de Letramento Racial, realizado pela Secretaria Municipal de Educação de Londrina (SME), em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (CMPIR). O evento visa debater a abordagem da temática étnico-racial, educação antirracista e promoção da igualdade racial tendo como pano de fundo os 20 anos da Lei 10.639/03, que prevê a inclusão do ensino da história e cultura afro-brasileira na base curricular nacional.

O simpósio começa às 19h, no Teatro Marista, localizado na rua Cristiano Machado, 240, Jardim Bancários.

A abordagem do tema busca contribuir para que professores, gestores, estudantes de licenciatura e os demais profissionais da educação interessados possam ampliar seu repertório acerca da temática étnico-racial e seus desdobramentos. Para isso, serão trazidas e apresentadas experiências implementadas pela Rede Municipal de Educação de Londrina e contribuições de vivências e estudos de diferentes estados do Brasil, como Rio Grande do Sul, Bahia e outros.

As inscrições são gratuitas e abertas a toda a comunidade, com emissão de certificado pela Escola de Governo da Prefeitura de Londrina, e devem ser feitas pelo link: https://egl.londrina.pr.gov.br/login/index.php

O cronograma do evento conta com o lançamento da Revista Eletrônica da Educação – REDE, em sua 4ª edição, com temática igual à do simpósio, e a distribuição da primeira tiragem dos exemplares físicos da publicação. Também ficará marcada a oficialização da Campanha de Letramento Racial da SME, com o intuito de orientar e formar continuamente professores e servidores e fortalecer a prática no município, ampliando também a efetivação da lei nas escolas.

Na sequência, haverá uma mesa-redonda em formato talk show com a temática: 20 anos da Lei 10.639 – o compromisso e os desafios de uma educação antirracista, que será mediada pela Profa M.a. Juliana Bueno, responsável pelo Apoio às Relações Étnico-Raciais e Valorização à Diversidade da Secretaria Municipal de Educação, e contará com as falas da Prof. Dra. Tanara Forte Furtado – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Prof. Dra Ana Lúcia Silva Souza – Universidade Federal da Bahia, e Prof. Dra Margarida Cássia Campos, da Universidade Estadual de Londrina.

A importância do letramento racial

A professora e mestre em Educação Juliana Bueno, da SME, comenta que o letramento racial é uma ferramenta ampla de aprendizagem a fim de promover a reeducação racial, levando para as escolas, por meio de diferentes formas de abordagem, discussões étnico-raciais. Nesse sentido, a prática visa oferecer para as crianças e adolescentes a possibilidade de se desenvolverem compreendendo a pluralidade e diversidade existentes no mundo, entender sua realidade e cultura, e a convivência entre as pessoas.

“É um meio de fazer com que os alunos e alunas aprendam a valorizar e respeitar, por exemplo, os povos originários, a ancestralidade, povos indígenas e africanos, fortemente responsáveis pela constituição do povo brasileiro, e que tiveram sua história e cultura negligenciadas, muitas vezes apagadas e violentadas, jogadas à marginalidade e subalternidade”, salienta a professora Juliana Bueno.

Nesse contexto, o letramento racial, de acordo com Juliana, busca aproximar e inserir os mais jovens, lançando mão dos conhecimentos e tecnologias existentes e proporcionando um olhar mais universal, coerente e sensível para desconstruir formas de agir e pensar.

“É preciso entender o que são as relações étnico-raciais no Brasil, sua história e a desigualdade racial, para evitar e coibir comportamentos racistas e fazer com que as crianças criem um repertório de entendimento, valorizem o respeito e cresçam sem preconceitos, compreendendo que não há um só padrão de ser humano. E é válido ressaltar que o letramento racial não é um processo específico de ensino, mas uma postura adotada que vai além da aplicação da lei, configurando um movimento mais abrangente”, frisou.

Segundo a educadora, é fundamental observar e refletir sobre qual é o compromisso antirracista que Londrina e sua rede educacional possuem. “A partir dessa articulação entre entidades públicas, foi entendida a necessidade de dialogar sobre os 20 anos da Lei 10.639/03, que prevê o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. A intenção do simpósio é trocar experiências sobre o letramento racial e contribuir para o aprimoramento de sua aplicação nas unidades, falando sobre os desafios, avanços e perspectivas de ampliação da lei”, diz.

De acordo com a prefeitura, o ensino da temática História e Cultura Afro-Brasileira na rede municipal é feito de forma transversal, passando por todos os componentes curriculares e abarcando todas as séries, desde a educação infantil até o ensino fundamental. Faz parte do cotidiano escolar, não como componente curricular único, mas de forma transversal, passando por diferentes atividades na escola.

Todas as unidades escolares possuem uma Comissão da Diversidade que recebe formação específica e multiplica os conhecimentos internamente, articulando junto à SME ações voltadas a essa temática.

Educação antirracista é essencial

Sobre a importância dos debates em torno do tema em nível público, a professora Dra. Margarida de Cássia Campos, da UEL, destaca que promover na escola uma educação antirracista é essencial para a garantia de uma sociedade democrática, livre da perversidade da violência racista, sendo o Brasil um país onde o racismo é estrutural e estruturante.

“Todos que somos partícipes deste processo consideramos necessário e queremos uma escola que caminhe lado a lado com garantia de direitos e igualdade racial para as crianças, adolescentes e jovens brasileiros”, apontou ela, que é docente efetiva da UEL desde 2012, e desde 2013 professora pesquisadora do NEAB-UEL.

Nas palavras de Margarida, criar cursos, oficinas, palestras, bem como tempos e espaços antirracistas de formação continuada é uma ação fundamental da Secretaria Municipal de Educação de Londrina e demais órgãos e instituições da cidade.

“Tudo isso converge rumo a uma escola que reconheça, estude e combata o racismo em todas suas formas de manifestações”, concluiu a professora. Ela atua com o ensino de Geografia e trabalha com a formação de professores e professoras na temática da Educação das Relações Étnicos-Raciais desde 2008, ainda quando era professora temporária da UEL

Público-alvo do simpósio

O I Simpósio de Letramento Racial é voltado à comunidade educacional de Londrina e região, mais especificamente representantes da Comissão da Diversidade, professores e gestores das unidades escolares da Secretaria Municipal de Educação de Londrina, representantes da Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (CMPIR), estudantes de graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e demais integrantes do Neab-UEL, dirigentes municipais vinculados à UNDIME-Pr, professores da rede estadual de ensino do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina e demais professores e profissionais da Educação de cidades vizinhas, como Ibiporã e Cambé.

(Com informações do NCom da Prefeitura)

Serviço:

I Simpósio Municipal de Letramento Racial

Programação

18h30 – Recepção e credenciamento

19h – Cerimonial de abertura: Composição da mesa de autoridades e apresentação cultural.

19h45 Lançamento da Campanha de Letramento Racial e da Revista Rede

20h – Mesa redonda – 20 anos da Lei 10.639 – o compromisso e os desafios de uma educação antirracista.

Participantes:

Mediação –  Prof. Ms. Juliana Bueno – Secretaria Municipal de Educação

Dra Tanara Forte Furtado – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Dra Ana Lúcia Silva Souza – Universidade Federal da Bahia

Dra Margarida Cássia Campos – Universidade Estadual de Londrina