Alunas do Colégio Estadual Newton Guimarães divulgaram vídeo nas redes sociais onde apontam preocupação com a educação pública

Cecília França

Imagem em destaque: prints do vídeo divulgado no Instagram

Estudantes do 2o e 3o anos do Colégio Estadual Newton Guimarães, em Londrina, divulgaram vídeo nesta semana se posicionando contra a militarização da escola. A unidade está incluída em nova votação sobre a adoção do modelo cívico-militar que ocorre nesta quinta e sexta-feira (14 e 15 de dezembro).

A União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (ULES) também promove novo ato contra a militarização nesta quarta (13). Leia mais abaixo.

“Somos estudantes da rede pública e estamos preocupados com a nossa educação. Até que ponto iremos chegar?”, questiona o vídeo na abertura.

O vídeo foi postado pela estudante Sofya Reis, do 2o ano. Ela traça uma linha do tempo dos prejuízos educacionais desde a pandemia e a adoção do Novo Ensino Médio.

“Quando nós achamos que nosso colégio tinha conseguido contornar toda essa situação, nós descobrimos que existe a possibilidade de ele se tornar cívico-militar, “, diz Sofya. Ela é a única estudante a aparecer no vídeo. As demais participaram somente com locução, por não quererem se expor.

https://www.instagram.com/reel/C0wDcYeug9Z/?igshid=ZTcxMWMzOWQ1OA==

À Rede Lume Sofya explica que decidiu gravar o vídeo porque já estava incomodada com o Novo Ensino Médio e se sentiu ainda mais impotente com a possibilidade de militarização.

“Decidem as coisas por nós, mudam nosso sistema e ameaçam tirar das nossas mãos a escola pela qual construímos uma história, sem mais nem menos? Ainda por cima vi comentários de pessoas que duvidavam da eficiência do nosso colégio, mesmo ele sendo um dos mais elogiados e reconhecidos”, afirma.

“A partir de qual momento os pais dos alunos da minha escola viram ele com tanta aversão? Mudaram o discurso de uma semana para outra por causa dessa proposta”, questiona a estudante.

Paraná tem o maior número de escolas cívico- militares do País/Foto: SEED

Sofya acredita que exista desinformação sobre o ambiente escolar e as mudanças que a militarização pode trazer.

“Acreditam que os militares serão capazes de colocar os alunos ‘na linha’, tirar drogas do nosso meio, coisas que não são comuns na nossa escola. Mas acho que o principal fator que tem influenciado é o partido político, infelizmente”, explica.

“Narram como se a escola propagasse ideias de esquerda e os militares fossem extinguir essa ‘doutrina dada pelos professores’. O que é uma das coisas que mais me incomoda: o modo como colocam os professores como alvo, ameaça”, lamenta.

Ato realizado pela ULES em 27 de novembro/Foto: Ivo Ayres

Além do Newton Guimarães passarão por consulta pública para adoção do modelo cívico-militar nesta quinta e sexta-feira os colégios estaduais João Rodrigues da Silva, Lauro Pessoa e Barão do Rio Branco.

18 colégios aprovaram modelo para 2024

Nos dias 28 e 29 de novembro o Estado realizou consulta pública sobre a adesão do modelo cívico-militar em 127 colégios estaduais de 56 cidades do Paraná. Em Londrina, das 20 consultadas, 18 votaram pela adoção do modelo e a APP Sindicato apontou irregularidades no processo.

Antes da consulta, a ULES promoveu ato público contra a militarização e hoje (13), a partir das 18h, em frente ao Cine Teatro Ouro Verde, no Calçadão de Londrina, a entidade se mobiliza novamente.

Leia aqui argumentos da ULES e da APP Sindicato sobre os prejuízos do modelo cívico-militar, considerado excludente e antidemocrático.

Segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seed), o modelo educacional cívico- militar combina elementos da gestão civil com a presença de profissionais militares da reserva (inativos) na administração e na rotina escolar. A secretaria afirma que essas escolas integram práticas e valores com os princípios educacionais, “visando promover um ambiente escolar mais cívico e voltado para o desenvolvimento integral dos alunos.”

As escolas cívico-militares foram instituídas no Paraná em 2020 e atualmente são 194 colégios nesta modalidade e 12 do modelo do programa nacional que serão incorporadas pelo Estado em 2024. Com a nova consulta o número pode passar de 300.

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