Plenária de mobilização acontece nesta sexta-feira pela revogação do aumento da tarifa para R$ 5,75
Cecília França
Fotos: Emerson Dias/NCom
Movimentos populares de Londrina, incluindo sindicatos, associações e coletivos, estão convocando mobilizações contra o aumento da passagem de ônibus. Desde o primeiro dia do ano, a tarifa do transporte coletivo está custando R$ 5,75, aumento de 19,8% sobre os R$ 4,80 que vigorava no ano passado.
Para esta sexta-feira (5) está marcada uma plenária de mobilização, na sede da APP Sindicato, a partir das 18h30, para discutir atos públicos e mobilizações que possam reverter a medida. No próximo dia 10, a partir das 18h é a vez da Alternativa Popular promover protesto no Calçadão.
Luis Carlos de Camargo, coordenador da Central de Movimentos Populares em Londrina, uma das organizadoras da plenária desta sexta, explica que o aumento da passagem de ônibus acima da valorização do salário mínimo nacional e da prévia da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) não se justifica.
“O aumento onera os trabalhadores e trabalhadoras em mais de R$ 40 mensais e chega a quase R$ 500 no ano. Isto impacta na vida das famílias, na qualidade e quantidade de alimentos, na compra de medicamentos, no deslocamento para tratamento de saúde”, detalha.

Camargo ressalta que aqueles que trabalham na informalidade serão ainda mais prejudicados.
“Serão duramente atingidos com este aumento e pode inviabilizar muitos desempregados e desempregadas de conseguirem sair em busca de trabalho/emprego. Os informais sequer têm conhecimento de calcular e repassar estes custos nos serviços que prestam e podem ter suas atividades inviabilizadas, aumentando assim o número de pessoas sem nenhuma renda, impactando diretamente na qualidade de vida e até na moradia”.
Para Camargo, a decisão sobre aumento da tarifa sem ouvir os usuários mostra uma opção da administração pública em beneficiar as empresas operadoras do serviço.
“Empresas não trabalham no vermelho, não ficam no prejuízo. As empresas decidem quando e quanto será o valor da passagem do transporte coletivo ‘público’. Os trabalhadores e trabalhadoras não são ouvidos, consultados, apenas pagam a conta e enfrentam a falta de mobilidade urbana, a exclusão social”, pontua.
Leia também: Vereador propõe tarifa zero para transporte coletivo
Além da revogação do aumento, Camargo espera que a mobilização resulte num debate sobre a qualidade do serviço ofertado na cidade. E elenca pontos de discussão:
“Discutir a gratuidade do transporte coletivo; melhorar a qualidade dos serviços oferecidos (tempo de espera, lotação, insegurança, falta de linhas, espera sem conforto); transparência sobre custos e lucros das empresas; organização da população para exercer o controle social”.
A plenária conta com apoio da Central de Movimentos Populares, Sindicato dos Bancários, APP Sindicato, Coletivo Popular Periferia na Luta por Espaço e Direitos, Sindicato dos Vigilantes, Frente Antirracista, Frente Popular de Saúde, Federação Brasil da Esperança, Marcha Mundial das Mulheres, União da Juventude Socialista, Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra e dos partidos Psol, PT, Rede Sustentabilidade, PDT, PC do B e PV.
Aporte às empresas
Entre janeiro e maio de 2023, a Prefeitura de Londrina repassou quase R$ 33 milhões para as empresas Transportes Coletivos Grande Londrina e Londrisul, responsáveis por operar o transporte coletivo na cidade.
De acordo com a prefeitura, no ano passado houve a maior renovação de frota da história do Paraná. Foram 147 novos ônibus, representando uma renovação de 42% da frota. Sendo 96 adquiridos pela concessionária TCGL e 51 pela Londrisul.
Diariamente, em média 44,5 mil pessoas utilizam o transporte coletivo em Londrina, registrando cerca de 89 mil passagens. A Grande Londrina opera prioritariamente nas regiões norte, leste e oeste e a Londrisul prioritariamente nas regiões centro, sul e leste.
A prefeitura argumenta que o aumento no valor da passagem possibilita garantir as gratuidades no sistema, que incluem: pessoas com deficiência (PCD) e acompanhantes, idosos, pessoas com câncer que fazem tratamentos específicos, aposentados por invalidez, doentes renais crônicos que fazem hemodiálise, pessoas com AIDS, pessoas com problemas crônicos de saúde que precisam de fisioterapia, crianças e adolescentes que necessitem de educação especializada e seus acompanhantes.
A gratuidade também é concedida a crianças e adolescente em situação de vulnerabilidade que frequentem serviços socioeducativos ou socioassistenciais para aprender uma profissão, profissionais das Forças de Segurança Pública (Polícia Militar, Guarda Municipal) e Tiro de Guerra, além dos agentes de saúde; dentre outros.
