Movimentos sociais realizam panfletagem no Terminal Central a partir das 16h pela revogação do aumento da passagem de ônibus

Cecília França

Foto em destaque: Protesto da Alternativa Popular na quarta (10)/Isabely Ramos

Movimentos sociais, coletivos e sindicatos realizam nesta quinta-feira (11) panfletagem no Terminal Urbano Central de Londrina contra o aumento da passagem de ônibus, que passou a custar R$ 5,75 no primeiro dia do ano. O aumento de quase 20% tem mobilizado a sociedade, que aponta o impacto na renda dos trabalhadores e trabalhadoras e pede revogação imediata ao prefeito Marcelo Belinati.

Ontem (10), a Alternativa Popular foi às ruas contra o aumento e pelo passe livre (leia mais abaixo).

Natália Lisboa, integrante da Frente Antirracista e representante da Marcha Mundial das Mulheres na mobilização, fala sobre como o aumento dificulta a vida dos trabalhadores, especialmente autônomos.

Divulgação do ato contra aumento da passagem

“O impacto é muito grande pra classe trabalhadora que paga seu próprio transporte, irão perder todo mês 60 reais que poderia ser convertido na compra da feira da semana ou na compra da mistura. O impacto vai ser na mesa do londrinense, do pedreiro autônomo, da diarista, do camelô de rua, da manicure”, declara.

A ativista ressalta que o índice de aumento não se justifica. “Um aumento de 20% do antigo valor (R$ 4,80) é inaceitável. Tivemos um aumento de apenas 7% no salário mínimo e o transporte de 20%? A conta não fecha”.

Além da rotina de trabalho, o custo com o transporte atrapalha o acesso à saúde e até mesmo o lazer, afirma Natália.

“Temos um museu que é gratuito, o parque Arthur Thomas, o Jardim Botânico, que muitos londrinenses não conhecem, sequer têm condições de pagar a passagem de ônibus pra chegar. Londrina vive hoje um circuito com mais de dez batalhas de rima, que são em locais públicos e reúnem muitos jovens; esses jovens, muitas vezes, não conseguem ir nessas batalhas por conta da passagem de ônibus. São só exemplos de como transporte impacta na vida cotidiana do londrinense”.

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“Muitas vezes as pessoas são encaminhadas pra UPA e não vão porque o posto não fornece passagem. O CRAS manda ir no posto pedir e o posto diz que já deu a cota mensal”, acrescenta.

Natalia espera que os trabalhadores e trabalhadoras compreendam e se unam na luta pela revogação do aumento da passagem.

“Queremos imediatamente a revogação do aumento da tarifa, volta do passe livre a todos os estudantes e que continuemos lutando pelo passe livre para os trabalhadores da cidade”, finaliza.

A União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (ULES) integra o ato pela revogação do aumento da passagem. Segundo a presidenta da entidade, Rávila Delay, a nova tarifa representa “um roubo”.

“Nossa mobilização é para mostrar que de maneira nenhuma apoiamos o aumento da tarifa. A prefeitura insiste em dizer que este aumento é para ‘o aumento dos custos operacionais e à necessidade de manutenção’, mas ano passado a tarifa já tinha sido aumentada de 4,40 para 4,80 e até hoje não vimos melhoras nos transportes. Então vamos para as ruas mostrar nossa revolta”, afirma.

Para a estudante, a administração municipal privilegia os interesses das empresas privadas. Ela espera que a mobilização social conquiste a revogação e o passe livre para todos os estudantes.

“Nós vemos que esse aumento de tarifa prejudica os trabalhadores, trabalhadoras e estudantes no geral, mas principalmente os trabalhadores e estudantes que moram nas partes periféricas da cidade”, acrescenta.

Marcha contra o aumento da passagem

(Com entrevistas de Isabely Ramos)

Na tarde de quarta-feira (10), a Alternativa Popular – integrada pelo Movimento Autônomo Popular (MAP), Federação Autônoma Estudantil (FAE) e Sindicato Independente dos Trabalhadores (SITrabalhadores) – realizou ato e marcha no Calçadão de Londrina pedindo a revogação do aumento da passagem de ônibus e o passe livre. 

Os participantes, que respondem coletivamente, classificam o aumento de quase R$ 1 na tarifa como “absurdo”.

“O passe livre é fundamental, é direito à cidade. Quando aumenta o preço, impossibilita o direito à cidade, o direito de ir e vir. E se pensarmos que na periferia, que não tem condições financeiras, fica ainda mais restrito. Quando a pessoa vai para outros locais é para trabalho, aí desconta o valor”, destacam.

Henrique Nogueira, integrante do Coletivo Dona Vilma Ya Mukumby, participou do ato. Segundo ele, o aumento foi pauta de reunião do coletivo, que constatou os impactos negativos especialmente para a população periférica.

“Quem usa mais transporte público: pessoas da periferia, pessoas pretas, que a gente sabe que não tem condições de manter R$ 5,75 por dia, às vezes o dobro do valor, ida e volta. Então a gente está cansado desse sistema, que só nos rouba. R$ 4,80 já era roubo, imagina agora”, comenta.

Ele destaca que o alto preço inviabiliza o acesso a serviços e ao lazer. “Até quando a gente não vai ter acesso ao lazer, à cultura e à educação? Porque a gente não tem meio de transporte dentro da periferia pra todo mundo, o único meio é o ônibus. E a gente não tem lazer lá, então precisa desse transporte”, finaliza.