Ato no centro de Londrina pediu um basta ao feminicídio

Cecília França
Com entrevistas de Nelson Bortolin

Fotos: Nelson Bortolin

Nesta segunda-feira, 19 de fevereiro, um grupo de mulheres realizou ato em Londrina pedindo justiça por Cláudia da Luz Maceu, conhecida como Cláudia Ferraz, e todas as vítimas de feminicídio. Elas se reuniram em frente ao salão de Cláudia, no centro da cidade, e ocuparam o cruzamento da rua Goiás com a avenida Higienópolis com faixas e cartazes.

Uma das participantes do ato, Clacimeire Cardoso, conta que a empresária, vítima de feminicídio pelo então noivo, Arthur Rockenbach, no dia 7 de fevereiro, era uma grande parceira e que sua morte não pode passar impune.

“Estamos aqui para pedir justiça pela Cláudia, para que realmente o assassino seja punido da forma que deve. Estamos aqui como amigas, como parceiras, como misses que ela sempre apoiou e valorizou. Ela não pode ter sido brutalmente morta à toa”, declara.

Mobilização ocorreu em frente ao salão da empresária, no centro de Londrina

Uma das organizadoras do ato, Michele Piccoli, de Alvorada do Sul, conta que era fornecedora da empresária, a quem relatou seu histórico de violência doméstica.

“Ela conheceu meu ex marido e ela dizia ‘Michele, que bom que você conseguiu sair desse relacionamento, que você não virou estatística’ e hoje ela virou estatística”, diz, aos prantos. “Ela falava isso para mim e hoje ela morreu!”

Michele diz que o movimento de mulheres espera conseguir a transferência de Rockenbach para Curitiba, onde – acreditam – ele deve ser julgado “sem privilégios”.

“Se a gente ficar quietinha em casa, nada acontece; se a gente ficar no grupo (de whatsapp), sentadas no sofá, pedindo justiça, nada vai acontecer”, disse ela às demais.

“Amanhã pode ser eu, pode ser você, nossa filha, nossa neta. Então não vamos deixar.Quem tem uma vítima em casa, quem passou por isso e sobreviveu, sabe a dor. Tenho certeza que vocês não querem passar por isso”.

Denúncia do MP

Na última sexta-feira o Ministério Público apresentou denúncia contra Arthur Rockenbach por feminicídio com outras três qualificadoras: motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Rockenbach teria desferido facadas nas regiões do pescoço e rosto de Cláudia e, após o crime, planejava incendiar a residência, onde viviam. Por conta disso ele também deve responder por tentativa de fraude processual. Saiba mais aqui.