Manifestação em frente à UEL marca a data em que William Júnior completaria 20 anos
Nelson Bortolin
Fotos: Filipe Barbosa
Familiares dos jovens William Jones Faramilio da Silva Júnior e Anderbal Campos Bernardo Junior, mortos pela Polícia Militar dia 6 de maio de 2022, fizeram uma manifestação na manhã desta sexta-feira (8), quando William completaria 20 anos de idade.
O protesto foi realizado às margens da PR-445, próximo aos campos de futebol da UEL, no exato local onde os jovens foram baleados dentro de um carro.
As famílias alegam que houve execução e querem que os PMs sejam julgados. Polícia Civil e Ministério Público ainda não concluíram as investigações do caso.
William foi morto com 18 anos e Anderbal, com 21.
Apesar de ter levado sete tiros, um terceiro ocupante do carro, Bruno Vinicius Orcioli Luchtenberg, de 23 anos, sobreviveu. E prestou depoimento à Polícia Civil, no qual contestou a versão dos policiais.
VERSÃO DA PM
No Boletim de Ocorrência, a equipe da Choque diz que foi acionada pela P2, em função do roubo do veículo. Os policiais alegam que abordaram o carro com sirene e giroflex ligados e deram ordem para os ocupantes saírem com as mãos na cabeça. No entanto, os três teriam sacado armas de fogo e apontado para os policiais.
“Diante da grave ameaça contra a integridade física da guarnição, foram efetuados disparos de arma de fogo para cessar a iminente agressão”, diz o BO. Mesmo baleados, os jovens, na versão da polícia, teriam saído do veículo com as armas em mãos apontando novamente para os policiais e tentado fugir. “Assim, novamente os policiais efetuaram disparos para cessar injusta e atual agressão…”
VERSÃO DO SOBREVIVENTE
Bruno Vinicius Orcioli Luchtenberg disse à Polícia Civil que, num sinaleiro, perto dos Correios, na PR 445, ele e os amigos viram um carro da Choque pelo retrovisor, mas continuaram em direção ao shopping Catuaí, onde iriam passear.
Quando chegaram em frente à UEL, Anderbal teria dito que iria dar passagem para a polícia. “Eles (policiais) emparelharam e começaram a disparar, sem dar sinal de sirene, nem nada”, contou Bruno no depoimento.
O PM que estava na frente da viatura da Choque teria atirado com fuzil e o de trás, com uma pistola. “Começaram a atirar sem sair do carro.”
De acordo com Bruno, quando os policiais perceberam que ele estava vivo, começaram a xingar. “Disseram que não iam chamar o Samu. Que meus amigos já tinham morrido, que eu ia ficar agonizando até morrer.”
Num determinado momento, segundo o sobrevivente, os policias tiraram armas de dentro da viatura para “plantá-las” na cena do crime.
