Mostra do Observatório de Feminicídios Londrina acontece neste sábado com intervenções artísticas, oficinas, instalações e roda de conversa
Da Redação
Foto em destaque: Memorial “Nenhuma a Menos” montado por Néias no Canto do Marl/Meire Moreno
Néias-Observatório de Feminicídios Londrina realiza neste sábado, 27 de abril, sua 1a Mostra de Artivismos para marca o aniversário de três anos da associação. O evento vai contar com a participação de artivistas locais e de outros estados do país com intervenções artísticas, oficinas, instalações e finalizando com uma roda de conversa às 18h. As ações acontecem na Divisão de Artes Cênicas da UEL, localizada na Avenida Celso Garcia Cid, 205, a partir das 15h.
A pesquisadora e artivista Amanda Marcondes, integrante de Néias e curadora da Mostra, explica que o artivismo já faz parte dos movimentos sociais feministas latino-americanos como uma prática no combate à violência de gênero. Porém, ainda é negligenciada em algumas manifestações.
“No teatro, por mais que tenhamos fortes referências (ainda que pouco disseminadas) de teatros e performers feministas, o artivismo ainda hoje é uma prática um tanto negligenciada, vista como ‘menor e/ou como uma ‘não arte’. Minha intenção enquanto artista e pesquisadora é ver como essas performatividades e teatralidades existentes nas práticas artivistas sociais têm contribuído para a ressignificacao de discursos e violências institucionais e cotidianas, como é a violência de gênero”, destaca.

A Mostra reúne instalações já realizadas por Néias em julgamentos de casos de feminicídios em Londrina e em atos do 8M. A programação inclui tanto manifestações presenciais de attistas locais quanto exposição de trabalhos de artistas de outras regiões, que responderam à convocatória online por meio do perfil do instagram de Néias.
“Cada artista e ativista que se inscreveu, vem buscando à sua maneira tornar visível vivências e discussões ainda invisivilizadas pelo cotidiano. Tenho refletido junto a várias referências teóricas e práticas, que elas (as ações artivistas) criam um espaço-tempo para se falar sobre isso e convidam o público a perceber (essas violências cotidianas e institucionais) através de um outro lugar, desanestesiando o cotidiano e convocando outros modos de sensibilidade e politicidade sobre/no campo do real”, explica Amanda.
Para ela, o impacto produzido pelo artivismo “é de uma potência gigantesca”, porque permite criar outras narrativas sobre a violência de gênero, “entendendo essas violências como algo exterior a nós, como algo que na maioria das vezes vem de fora, de um sistema binário, hierárquico e fictício chamado gênero”, aponta a artivista.
“Com isso, podemos criar rotas de fuga para o nosso imaginário coletivo. E quem sabe, no meio disso, também podermos falar de vida, de sonho, de coletividades, de prazer. Ou qualquer outra coisa que desejarmos… seja na vida, na arte e também através do ativismo e da militância social”, finaliza.
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Confira programação da 1a Mostra de Artivismos de Londrina:
Mamilla Invertido
Uma performance provocativa que desafia a censura dos mamilos “femininos” através de fotoperformances e instalações, utilizando mamilos de homens cis sobrepostos nos corpos das performers. Inclui uma leitura performativa do livro “Pornoterrorismo” de Diana J. Torres.
Por Maju Ferretti (PR)
Aqui não red pill
Fotoperformance que reflete a resistência aos padrões de gênero e a misoginia. Inspirada pela obra de Ana Mendieta, a artista usa o corpo como tela para criticar a visão distorcida do feminino imposta por culturas machistas.
Por Marcinha Baobá (MA)
Madres Mortas e Nota de Escurecimento
Uma série de fotocolagens que destaca mulheres racializadas e os estereótipos violentos a elas associados, acompanhada de textos históricos sobre a escravidão no Brasil e uma reflexão sobre ataques virtuais sofridos pela artista.
Por Marcinha Baobá (MA)
Ações Artístico Pedagógicas da Cia. Matita de Teatro
Relato das iniciativas de educação e engajamento do público da Cia. Matita de Teatro, focando em experiências interativas e reflexões sobre feminismo através do teatro.
Por Poliana Pitteri da Cia. Matita de Teatro (SP)
Eu Vejo o Descaso…
Poesia de Henrique Nogueira que aborda a negligência enfrentada por mulheres idosas, destacando a importância da poesia como ferramenta de cura e conscientização.
Por Henrique Nogueira (PR)
Espaço do Silêncio
Instalação performativa que utiliza cruzes vermelhas e textos para denunciar as violências diárias contra mulheres, apresentando uma forte crítica social através de uma forma de arte imersiva.
Por Nina Caetano (MG)
Oficina de Lambe
Oficina voltada ao público em geral sobre o processo de feitura e colagem de lambes em espaços públicos.
Por Meire Moreno (PR)
Roda de Conversa
Um espaço para diálogo entre artistas participantes e o público sobre os três anos de atividades do Observatório e os trabalhos apresentados na mostra.
Instalações e Ações de Néias
Se essa rua fosse Minha: Ação de memória e denúncia do caso de feminicídio infantil da menina Sara.
Mulheres do Fim do Mundo: Instalação que acompanha um ato público, utilizando roupas femininas para evocar memórias das vítimas de feminicídio.
Justiça por Eduarda: Ato performativo que busca reativar a memória da menina Eduarda, vítima de feminicídio, usando elementos simbólicos como cimento e áudio de dados sobre violência.
Memorial Nenhuma a Menos: Nos últimos três anos, o Observatório acompanhou de perto 44 julgamentos de feminicídio na Comarca de Londrina, incluindo dois casos envolvendo crianças. Informes detalhados foram produzidos sobre cada caso, destacando a importância de trazer à luz essas histórias. O memorial é composto por 44 silhuetas representando essas vítimas, cada uma acompanhada por um QR Code que direciona para os Informes com mais informações sobre cada caso. A montagem deste memorial foi realizada pelas integrantes do grupo de artivismo de Néias, Amanda Ferreira Marcondes e Meire Moreno.
Serviço: Mostra de Artivismo – Néias
27 de abril
A partir das 15 horas
Divisão de Artes Cênicas da UEL (Avenida Celso Garcia Cid, 205)
(Com informações da assesoria de imprensa)
