Freitas diz que ataques se intensificaram após assassinato de PM na região metropolitana de Curitiba: “Minha vida está em risco”

Cecília França

Foto em destaque: Renato Freitas durante passagem por Londrina em 2022/Filipe Barbosa

O deputado estadual Renato Freitas (PT) esteve em Brasília nesta segunda-feira (29) para denunciar no Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) ameaças de morte que vem sofrendo. De acordo com Freitas, os ataques se intensificaram após o assassinato de um policial militar na ocupação Nova esperança, em Campo Magro, região metropolitana de Curitiba.

“Minha vida está em risco”, diz o início da postagem do deputado nas redes sociais. Freitas divulgou vídeo nesta noite junto ao secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Bruno Renato Teixeira, no qual afirma:

“Estou aqui para relatar uma série de ameaças graves que venho sofrendo nos últimos dias, sobretudo depois do assassinato de um policial militar na região metropolitana de Curitiba e que, infelizmente, a extrema direita no parlamento paranaense começou a dizer que eu tenho envolvimento, que eu sou um líder, porque a gente é conhecido pela luta em relação às favelas pelo direito à moradia”.

O corpo do policial militar Gabriel Thomaz Fadel foi encontrado no porta-malas de um carro no dia 31 de março, dentro da ocupação Nova Esperança. Moradores denunciaram invasões, ameaças e até mesmo torturas por parte da PM no dia seguinte ao achado do corpo. Um dos assessores de Renato Freitas pertence à coordenação da ocupação.

“Quando acontece um crime nas áreas nobres os deputados que moram nessas áreas não são responsbilizados, então porque quando acontece um crime lá no fundão da periferia o único deputado que veio da periferia – no caso eu – é responsabilizado? Isso coloca minha vida em risco e é sobre isso a gente está tratando aqui, os mecanismos possíves para que a gente consiga exercer nosso mandato, mas ter a nossa vida também assegurada”, esclareceu Freitas.

No vídeo, o secretário Bruno Renato Teixeira apresenta a possibilidade de inclusão do deputado no programa nacional de proteção aos defensores dos direitos humanos.

“É bom lembrar que Renato Freitas, deputado democraticamente eleito, é um defensor dos direitos humanos e para garantir a defesa dos direitos humanos no estado do Paraná é fundamental que nós possamos articular uma série de medidas que vão garantir a sua integridade física e psicólogica, para que o senhor consiga exercer seu mandato e sobretudo exercer a defesa incondicional dos direitos humanos no Paraná”.

Renato Freitas ainda se reuniu com a presidenta do Partido dos Trabalhadores, deputada Gleisi Hoffmann, para pedir apoio do partido na garantia de sua segurança.

Ataques na Alep

Na Assembleia Legislativa, o deputado Ricardo Arruda (PL) usou a tribuna, dias após o assassinato do policial Fadel, para defender o que ele chama de “faxina” nas periferias. O parlamentar utilizou como exemplos de ações eficazes de “faxina” o genocídio de Israel na Palestina e a chamada Operação Verão do governo de Tarcísio Freitas, de São Paulo, que já deixou ao menos 60 mortos no litoral.

O deputado disse ainda que não viu “manifestação de rua” de um deputado da Casa que “defende os criminosos, que ele chama de oprimidos”, em referência a Renato Freitas.

No dia 23 de abril, o jornal Plural noticiou que Ricardo Arruda foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná por rachadinha e lavagem de dinheiro. De acordo com a publicação, o esquema teria desviado centenas de milhares de reais do gabinete de Arruda na Alep por meio do uso de cartões de crédito usados para pagar despesas pessoais do parlamentar.