Manifestação em frente à UEL marca os dois anos da perseguição que resultou na morte dos jovens Anderbal Campos Bernardo Júnior e William Jones Faramilio da Silva Junior

Na foto em destaque, Anderbal (à esquerda) e William (à direita)

Nelson Bortolin

Dois anos após a morte de Anderbal Campos Bernardo Júnior e William Jones Faramilio da Silva Junior, familiares de ambos os jovens realizam um protesto nesta segunda-feira (6) inconformados com os rumos do inquérito que investiga o caso. Anderbal, com 21 anos à época, e William, com 18, foram mortos pela Polícia Militar dia 6 de maio de 2022, na marginal da PR-445, em frente aos campos de futebol da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Embora a PM afirme ter ocorrido confronto com os rapazes que estavam num mesmo veículo indo para o shopping Catuaí, as famílias têm convicção de que os dois foram executados. Um terceiro ocupante do carro, Bruno Vinicius Orcioli Luchtenberg, que tinha 23 anos à época, sobreviveu, apesar de ter sido atingido por vários tiros. Em depoimento à Polícia Civil, ele sustenta que não havia armas no veículo e que os PMs já chegaram atirando para fazer a abordagem.

“Como a viatura estava parada muito perto de nós, foi como tiro à queima roupa. O Anderbal morreu na hora. Tomamos tanto tiro. Não tínhamos força para ficar em pé”, disse o jovem em depoimento gravado. A PM alega que eles saíram do carro atirando apesar de baleados.

De acordo com Bruno, quando os policiais perceberam que ele estava vivo, começaram a xingar. “Disseram que não iam chamar o Samu. Que meus amigos já tinham morrido, que eu ia ficar agonizando até morrer.”

O sobrevivente também conta ter visto policiais simularem uma cena de confronto no local. Disse, inclusive, que viu quando um PM “plantou” armas no carro.

Leia mais: Sobrevivente diz que jovens foram executados

Arquivamento

No mês passado, o Ministério Público recomendou o arquivamento do caso, alegando falta de provas de que os policiais executaram os jovens. As famílias recorreram do parecer da promotoria e o judiciário ainda não decidiu se os PMs serão denunciados ou não.

“O meu sentimento e da minha família é de impunidade. Por serem policiais, esses homens são tratados de forma diferente das demais pessoas que cometem execuções. É revoltante o promotor pedir o arquivamento do caso, mesmo com tantas provas de que não houve confronto. Mesmo com o depoimento do sobrevivente e do rastreamento da viatura ser contraditório com o que os policiais alegam sobre a perseguição do carro”, reclama Hayda Melo, mãe de William.

Segundo ela, a PM disparou mais de 50 tiros contra o carro onde os jovens estavam. “Isso mostra que a intenção dos policiais não era de contenção, mas de execução”, alega.

Os rapazes foram perseguidos pela polícia acusados de terem roubado o carro em que estavam. A dona do veículo não os reconheceu como sendo os ladrões que a abordaram na manhã daquele dia. Preso e processado, o sobrevivente foi absolvido de todas as acusações.

PROTESTO

Data: 6 de maio (segunda-feira)

Horário: 9 horas

Local: Marginal da PR-445, em frente aos campos de futebol das UEL

Contato da Hayda Melo: 99606-0926