Por Vinícius Fonseca*
Eu sou muito avesso as “brigas da internet”. De todas as vantagens e desvantagens que acompanham a modernidade eu acredito ser a voz que a internet deu à estupidez humana a pior delas. Não quero usar esse espaço aqui com o intuito de ser mais um desses locais de dividir opiniões e gerar polêmica, ou mesmo fazer juízo de valor de alguém.
Dou todo esse contexto para falar sobre um assunto que me comoveu durante essa semana. O post de uma mãe atípica – mãe de criança com autismo- me comoveu bastante. Nele, um post curto, ela lança um ponto de vista em que diz que o autismo de seu filho tirou o seu sonho de ter uma família grande. (No link abaixo você pode ver uma matéria feita por uma revista sobre a postagem)
Bem, o post dividiu opiniões. Muita gente dizendo que ela não devia pensar assim, alguns chegando a dizer que era crueldade da parte dela pensar que seu sonho havia morrido.
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Muitas das pessoas que comentaram lá começam o seu discurso dizendo “meu filho ou filha teve autismo e dar um irmão (a) foi a melhor coisa que fiz a ela”. Como se o fato de serem mães atípicas automaticamente as credenciassem a “condenar” o ponto de vista da mãe que faz o desabafo.
A verdade é que ser mãe de uma Pessoa com Deficiência (PcD) não é simples. O caminho é árduo e exige uma dedicação diferenciada. Os desafios são vários e podem ser mais ou menos complexos a depender da deficiência e do grau de comprometimento que ela pode ocasionar.
Talvez essa mãe precise amadurecer a ideia de ter outros filhos, talvez isso venha com o tempo, mas se ela mantiver esse ponto de vista de ter apenas uma criança e dar toda a sua atenção a ela, qual o problema?

Cada pessoa lida com suas dores de um jeito e com base nelas faz suas escolhas. Não deveria existir espaço para polêmica nisso, ainda mais depois de ver as outras postagens do mesmo perfil e saber o quanto elas podem ajudar mães atípicas nos cuidados com seus filhos. (Deixo aqui o link do perfil para quem quiser ver mais: https://www.instagram.com/daviatipico/)
Como sou jornalista também faço questão de comentar o texto da matéria, chamar de desabafo polêmico o post é um pouco demais. Tudo bem que ele dividiu opiniões, mas parece que há mesmo uma necessidade pelo click. Particularmente acho um desserviço ao jornalismo.
Haverá quem diga, “foi só por isso que você clicou então não pode negar que funciona”. Esse método de “questione meus meios, mas não meus resultados”, não me agrada. Só dar voz a essa mãe já era algo importante, não era preciso criar um chamariz para o clique.
Por último, um recadinho para as mamães de pessoas com deficiência: Não sei qual a extensão dos desafios que você tem que enfrentar diariamente; não sei se precisou abdicar de sonhos, sejam eles maternais, estudantis ou profissionais, mas continue o seu trabalho, você está indo muito bem e mesmo que você nunca ouça isso do seu filho ou filha, ele te ama muito!
*Vinícius Fonseca é jornalista e tecnólogo em gestão de recursos humanos com especializações nas áreas de comunicação, gestão e pessoas e educação. Também é escritor de contos e poesia, além de um entusiasta das temáticas relacionadas à inclusão de minorias, sobretudo de Pessoas com deficiência. Iniciou suas colaborações com a LUME em 2023. Sua coluna pode ser lida quinzenalmente.
