Por Vinícius Fonseca

Uma das minhas formações é em Gestão de Recursos Humanos e já passei por algumas grandes empresas, não necessariamente em funções ligadas aos departamentos de gestão e pessoas, porém os meus conhecimentos na área sempre me fizeram ter um olhar atento às questões ligadas ao ambiente e às condições de trabalho e o ambiente das empresas.

Percebo nos últimos anos uma constante preocupação transformar as edificações em lugares mais acessíveis. Rampas, elevadores, sinalizações. Tudo bem planejado e pensado para os profissionais que se enquadram como pessoas com deficiência (PcD), no entanto, será que isso é suficiente?

A resposta é obviamente não! Ainda precisamos mudar mais coisas, sendo a mais importante delas a forma como olhamos um profissional que tem deficiência. Afinal, ele vem para a empresa apenas para atender a política de cotas e evitar uma multa e outras punições do Ministério do Trabalho, ou vem para somar ao quadro de funcionários?

A primeira observação que se pode fazer para perceber se a empresa está atenta a isso é notar se ela coloca o PcD em qualquer vaga ou se procura colocá-lo em cargos alinhados com suas formações ou conhecimentos.

A lei diz que uma pessoa com deficiência só deve ser “substituída” por uma pessoa com deficiência e isso faz com que muitas organizações optem por colocar o profissional em cargos de mais fácil reposição, como por exemplo, auxiliares e assistentes. Quase sempre desconsiderando as experiências curriculares do profissional.

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Para além disso, as lideranças ainda têm preconceitos com relação aos profissionais. Temem dar certas responsabilidades, talvez o fulano não dê conta, ele é deficiente! Nem sempre isso é dito abertamente, mas quem é PcD e já atuou no mercado por aí sabe que isso é bem comum.

Esse tipo de comportamento acaba “atrasando”, quando não, eliminando qualquer chance de promoção do funcionário, que está ali para ser apenas mais um.

Pensar a acessibilidade a partir das instalações prediais, tentar cumprir a cota, são todas medidas fundamentais para que os profissionais que têm deficiência cheguem ao mercado de trabalho e possam começar sua trajetória, mas além de começar queremos ir além e para ir além é preciso mais.

É preciso coragem dos profissionais de recursos humanos e dos gerentes e empresários em apostar nos profissionais com deficiência. É preciso que se olhe o currículo, a história da pessoa e oportunizar o seu desenvolvimento.

Apostar na competência do profissional contratado e não o ver apenas como alguém que está ali para cumprir cota.

Conscientizar lideranças, eliminar barreiras atitudinais dos demais funcionários, com muito trabalho e treinamento.

Um ambiente inclusivo exige trabalho, dedicação e muita vontade de fazer acontecer. A acessibilidade vai muito além das condições prediais, a rampa que queremos é a que nos impulsione para uma vida digna.

Por último, uma dica que eu deixo. A comunicação é a melhor forma de promover a mudança e o seu funcionário é o seu primeiro cliente, se você quer os melhores profissionais, faça seus funcionários falarem bem da sua empresa. Para isso promova o melhor ambiente de trabalho possível. E tenha certeza, o melhor ambiente é o mais diverso e inclusivo possível.

*Vinícius Fonseca é jornalista e tecnólogo em gestão de recursos humanos com especializações nas áreas de comunicação, gestão e pessoas e educação. Também é escritor de contos e poesia, além de um entusiasta das temáticas relacionadas à inclusão de minorias, sobretudo de Pessoas com deficiência. Iniciou suas colaborações com a LUME em 2023. Sua coluna pode ser lida quinzenalmente.

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